sábado, 27 de junho de 2020

GALERIA DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DE XADREZ - SMYSLOV


Dando prosseguimento à nossa série de postagens sobre os campeões mundiais de xadrez, hoje iremos apresentar aos leitores um pouco sobre a vida e a trajetória enxadrística do sétimo campeão do mundo, o russo Vasily Smyslov.


VASILY SMYSLOV


Vasily Vasiliyevich Smyslov nasceu em Moscou, capital da Rússia, em 24 de março de 1921. Aprendeu os rudimentos do jogo aos seis anos de idade. Teve por professor o seu pai, também de nome Vasily, de quem herdou a paixão pelo xadrez. Vasily pai era considerado um bom jogador, tanto é que conseguiu vencer Alekhine em uma partida disputada em 1912, no Clube de Xadrez de São Petersburgo. Vasily filho, portanto, cresceu num ambiente propício ao desenvolvimento do seu talento, já que seu pai possuía um acervo com dezenas de livros sobre xadrez. Em 1942, o jovem Smyslov, que já tinha obtido o título de Mestre, ganhou o Campeonato de Moscou, e no ano seguinte, em 1943, se converteu em Grande Mestre. Finalizou em 2º lugar no Campeonato da União Soviética de 1944, e participou do seu primeiro torneio internacional em 1946, em Gronigen (Holanda), no qual classificou-se em 3º lugar, atrás do ex-campeão mundial Euwe e do futuro campeão mundial Botvinnik. Esses bons resultados lhe permitiram participar, dois anos mais tarde, do Match-Torneio válido pelo Campeonato Mundial de 1948, em que terminou em 2º lugar, depois de Botvinnik, que foi declarado campeão. Smyslov continuou se fortalecendo e aprimorando-se tecnicamente com o passar dos anos, até que em 1953 ganhou o famoso Torneio de Candidatos de Zurique. A partir daí, ele começou a se preparar para enfrentar Botvinnik em um encontro pela coroa do xadrez, que foi celebrado em 1954.

 
O jovem Smyslov


Na opinião de todos, durante o período de 1953 a 1958 Smyslov era, no mínimo, tão forte quanto o campeão mundial Botvinnik. Em resultados, destreza e classe ele superava a todos os demais Grandes Mestres da época. Dessa forma, esperava-se um duelo intenso entre os dois melhores enxadristas do mundo, e essa expectativa de fato se concretizou. Após 24 partidas de muita luta, 14 das quais tiveram definição, um número alto para matches desse nível, o confronto terminou empatado em 12 x 12 (+7 -7 =10). Botvinnik teve grande dificuldade em resistir ao ímpeto do jovem aspirante, que jogou de igual para igual contra seu formidável oponente. Em 1956, Smyslov venceu o Torneio de Candidatos de Amsterdã, e mais uma vez se classificou para disputar o título mundial frente a Botvinnik. A essa altura, pelos seus resultados anteriores em torneios, ele já era considerado o melhor jogador do mundo, e consequentemente o favorito para sair-se vitorioso no match de 1957, que foi disputado entre os meses de março e abril daquele ano. Nesta segunda tentativa, Smyslov conseguiu impor sua força sobre Botvinnik, derrotando-o por 12,5 x 9,5 (+6 -3 =13). O mundo do xadrez tinha um novo campeão!


Smyslov conquistou o título mundial em 1957, ao derrotar Botvinnik


Apesar do seu grande preparo e nível de força, Smyslov permaneceu em posse do título mundial por apenas um ano. As regras estabeleciam que deveria ser jogado um match-revanche, um ano depois do encontro anterior, e o acordo foi cumprido. Pela primeira vez na história do Campeonato Mundial, os mesmos rivais batalhavam pela coroa em três matches consecutivos! Assim, em 1958, Smyslov e Botvinnik se encontraram mais uma vez, cara a cara, lutando por dois objetivos distintos: Smyslov para manter o título mundial, e Botvinnik para reconquistá-lo. O ex-campeão havia se preparado intensamente para esse encontro, estudando cuidadosamente os pontos fortes e fracos do seu adversário, como era seu costume. O começo da disputa causou uma surpresa geral: Botvinnik somou três vitórias consecutivas! Na sequência, Smyslov procurou reagir, e as vitórias se produziram de ambas as partes. No entanto, o campeão não pôde se recuperar do começo infeliz e reverter sua desvantagem, sendo superado por Botvinnik, que venceu o terceiro match entre ambos pelo placar de 12,5 X 10,5 (+7 -5 =11). A perda do título mundial não abateu Smyslov, que seguiu sendo um dos principais jogadores do mundo. Em torneios internacionais, era geralmente incluído na equipe soviética, onde teve a oportunidade de vencer numerosas competições por equipes. Assim como Lasker, Reshevsky e Kortchnoi, tornou-se um dos mais célebres exemplos de longevidade enxadrística, competindo em alto nível mesmo depois dos 60 anos de idade. Entre 1948 e 1983, foi oito vezes candidato ao título mundial, e em 1991, aos 70 anos, ganhou o primeiro Campeonato Mundial de Xadrez Sênior.




Smyslov adotou um estilo de jogo posicional, lógico e metódico, com destaque para sua técnica refinada e sua grande habilidade na condução dos finais. Como todo jogador de primeira categoria, ele era também muito bom no jogo tático, organizando ataques ao adversário com extrema precisão. Foi adepto do estilo clássico, buscando, segundo ele próprio declarou, "alcançar a harmonia e a verdade no xadrez".  Escreveu alguns livros de xadrez, dentre os quais o mais importante é My best games of chess 1935-1957. Contribuiu com novas ideias para a evolução da teoria de aberturas, em especial na Abertura Ruy Lopez e nas Defesas Francesa, Grünfeld e Ninzoíndia. Apesar de ser um exímio estrategista e finalista, Smyslov nunca foi considerado um dos melhores campeões do mundo. Compartilhava sua carreira de enxadrista com sua paixão pela música, atuando como cantor, e chegando a dar concertos em torneios de xadrez, às vezes acompanhado pelo Grande Mestre soviético Taimanov, que era pianista. Simpático e de modos agradáveis, ganhou o afeto dos seus companheiros enxadristas. Vasily Smyslov faleceu em Moscou, em 27 de março de 2010.

Como exemplo da profunda força criativa de Smyslov, iremos exibir uma bela partida disputada contra o GM húngaro Zoltan Ribli na Semifinal do Torneio de Candidatos de 1983, em que o ex-campeão mundial de 62 anos utilizou sua maestria tática para conquistar uma brilhante vitória. 



quinta-feira, 25 de junho de 2020

OS REIS DO NORDESTE!


Uma equipe de enxadristas paraibanos venceu, na data de ontem (24/06), o I Circuito Nordestão por equipes, uma competição que envolveu equipes formadas por jogadores dos nove estados da região Nordeste, que pode ser equiparada a um Campeonato Nordestino de blitz on-line! De acordo com informações prestadas pelo MN Evandro Rodrigues, capitão da equipe paraibana, a organização do Nordestão partiu do jogador Marcone Fiúza, do estado da Bahia. Em cada time só poderiam participar jogadores nascidos, residentes ou federados pelo seu respectivo estado. Inicialmente, foi realizado um primeiro torneio entre as equipes nordestinas, com ritmo de jogo de 3'+0", que foi vencido pela equipe da Paraíba. Ainda segundo o MN Evandro, depois desse primeiro Nordestão ocorrido no dia 22/05, os organizadores resolveram promover um circuito para definir o estado campeão após 4 rodadas, com as etapas ocorrendo sempre às quartas-feiras, com início em 03/06/2020. Além do formato do torneio, o ritmo foi alterado para 3'+2", a pedido de alguns jogadores. O resultado, deveras impressionante, foi que o time da Paraíba ganhou todas as quatro etapas do circuito, vencendo com louvor essa forte competição com um saldo acumulado de mais de 100 pontos sobre o time vice-campeão, do estado de Pernambuco. 

A equipe campeã foi formada por grandes nomes do xadrez paraibano, a exemplo do já citado MN Evandro, MN Douglas Torres, Rondinelle Pessoa, irmãos Wanderley (Rafael e Rodrigo), Arthur Olinto, Marcello Urquiza, Fagner Lima e vários outros, que contribuíram para tornar possível essa importante conquista. Todos eles fizeram bonito no torneio, e por isso mesmo são merecedores das nossas mais entusiasmadas felicitações. Por terem colocado a nossa querida Paraíba no  lugar mais alto do pódio, esses enxadristas paraibanos podem ser considerados os verdadeiros reis do Nordeste na modalidade blitz! Parabéns guerreiros, e sucesso nas próximas batalhas!

Segue, abaixo, o quadro final de classificação do I Circuito Nordestão por equipes.



quarta-feira, 24 de junho de 2020

UM FEITO E TANTO!


Um dos êxitos mais marcantes da trajetória de Mikhail Botvinnik foi a vitória que ele obteve contra o lendário Capablanca, no ano de 1925. Na ocasião, o cubano Capablanca era o campeão mundial, e estava na cidade russa de Leningrado, onde ministrou uma simultânea para 30 tabuleiros. Um dos adversários do genial Capa era o adolescente Botvinnik, que tinha 14 anos na época. Vale salientar que ele havia aprendido a jogar xadrez somente dois anos antes, aos 12 anos, e aos 14 já conseguia a façanha de derrotar o campeão do mundo em uma partida, sem dúvida um feito e tanto! Algumas fontes da literatura enxadrística afirmam que, finalizada a partida, Capablanca felicitou seu jovem oponente, e previu que ele se tornaria um mestre no futuro. No entanto, o próprio Botvinnik contradiz essa versão, conforme se lê no 2º volume do livro Meus Grandes Predecessores, de Kasparov. Recordando o episódio, declara Botvinnik: "Em posição desesperada [...] Capablanca varreu as peças (em sinal de rendição) e passou a outro tabuleiro. A expressão em seu rosto não era muito agradável. Por consequência, sou cético acerca do que contam testemunhas oculares de que o campeão mundial elogiou meu jogo".

Pesquisando na internet, consegui localizar essa partida, que tem um importante valor histórico, e a compartilho com os leitores. Você pode visualizá-la clicando aqui.


Aos 14 anos, Botvninnik derrotou Capablanca em uma simultânea

domingo, 21 de junho de 2020

VEM AÍ O CAMPEONATO PARAIBANO ON-LINE DE BLITZ!


Prezado(a)s amigo(a)s, enquanto aguardamos que a Federação Paraibana de Xadrez divulgue informações acerca da edição do Campeonato Paraibano Absoluto deste ano, temos uma ótima notícia para dar à comunidade enxadrística do nosso estado: a partir do dia 1º de julho, será realizado o I Campeonato Paraibano on-line de xadrez blitz! A iniciativa de promover a competição partiu de um grupo de enxadristas, encabeçados pelo MN Evandro Rodrigues, de Campina Grande-PB. O torneio será realizado pela plataforma Lichess, no ritmo de 3' + 2", e a participação será exclusiva para os jogadores nascidos ou residentes na Paraíba, ou federados pelo estado junto à CBX. As inscrições são gratuitas, e a premiação será custeada pelos próprios participantes, por meio de patrocínio. Até o presente momento, já estão garantidos R$ 700,00 de premiação, a serem distribuídos entre os melhores colocados. Mais informações podem ser obtidas no regulamento do torneio, que se encontra disponível no blog Reino de Caissa: http://reinodecaissa.blogspot.com/2020/06/campeonato-paraibano-de-blitz-on-line.html.

Enxadristas paraibano(a)s, participem e nos ajudem a divulgar!



PENSAMENTO DO DIA


"Algumas pessoas pensam que, se o oponente joga uma partida bonita, não há problema em perder. Eu não. Você tem que ser impiedoso". (GM Magnus Carlsen).


 

sábado, 20 de junho de 2020

HISTÓRIA DO CAMPEONATO BRASILEIRO FEMININO DE XADREZ


Na publicação de ontem, da Seção Memória, relembramos a enxadrista Dora de Castro Rúbio, que foi a primeira campeã brasileira de xadrez, título conquistado no ano de 1957, quando da realização do primeiro campeonato brasileiro feminino de xadrez. É certo que o xadrez não é popular no Brasil, sobretudo entre as mulheres, as quais, infelizmente, não são tão afeitas à prática do jogo-arte-ciência quanto as mulheres de países europeus e asiáticos. Mas isso não é motivo para relegarmos o xadrez feminino a segundo plano: aqui no blog Batalha de Mentes, todos os amantes da Arte de Caíssa têm sua importância reconhecida, sejam eles crianças, mulheres ou homens. E se você, amigo(a) leitor(a), deseja conhecer um pouco mais a respeito da história do campeonato brasileiro feminino de xadrez, poderá encontrar material para consulta no site do jornalista e escritor carioca Waldemar Costa, importante cultor do enxadrismo em solo pátrio, recentemente falecido, cuja perda inestimável lamentamos profundamente. Segue abaixo o link para acesso ao material acima referido: http://www.wsc.jor.br/xadrez/Campe%E3s%20Brasileiro.htm#Top. Boa leitura!

 
Ruth Vokl Cardoso, heptacampeã brasileira de xadrez

GALERIA DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DE XADREZ - BOTVINNIK


O próximo enxadrista a ser focalizado em nossa série "Galeria dos campeões mundiais de xadrez" é o russo Mikhail Botvinnik, o sexto campeão do mundo e o primeiro da era FIDE. Vejamos um pouco a respeito da sua trajetória.


MIKHAIL BOTVINNIK

 
Mikhail  Moiseyevich Botvinnik nasceu na cidade de Kuokkala, perto de São Petersburgo (Rússia), em 17 de agosto de 1911. Aprendeu xadrez com um amigo, quando tinha 12 anos, e pouco tempo depois já demonstrou seu talento para o jogo, ao vencer um torneio escolar. Começou a se dedicar ao estudo do jogo, e foi evoluindo cada vez mais. Em 1930, venceu o Campeonato de Leningrado, e em 1931 conquistou pela primeira vez o Campeonato Soviético (viria a tornar-se campeão da URSS em outras seis ocasiões). Em 1934, empatou um match com o campeão tcheco Salo Flohr, por 6x6, um claro indício do progresso que vinha fazendo Botvinnik e outros fortes jogadores soviéticos, que a essa altura já eram capazes de medir-se contra os melhores enxadristas do Ocidente. Seu primeiro grande êxito viria em 1935, quando dividiu o primeiro lugar do torneio de Moscou com Flohr, à frente de Lasker e de Capablanca. No ano seguinte, experimentaria um êxito ainda maior, ao ganhar empatado com Capablanca o torneio de Nottingham (1936), adiante de Euwe, Alekhine e Lasker. Dois anos mais tarde, em 1938, ele participou do supertorneio de AVRO, destinado a selecionar o aspirante a disputar o título mundial contra Alekhine. Nesse torneio, que contava com a presença dos oito mais fortes enxadristas do mundo na época, Botvinnik finalizou em 3º lugar, meio ponto atrás dos campeões Fine e Keres, mas causou uma grande impressão graças ao vigor do seu jogo. A partir de então, começaria a pensar na conquista do título máximo do xadrez.



O jovem Botvinnik



Após o torneio de AVRO, começaram as negociações de um match pelo título mundial entre Alekhine e Botvinnik. O campeão do mundo aceitou o desafio, porém a deflagração da II Guerra Mundial, ocorrida em 1939, impediu que o encontro acontecesse. Somente depois de encerrada a guerra, foi possível retomar as negociações do match, em 1946. Contudo, naquele mesmo ano, os planos de Botvinnik seriam interrompidos por mais um acontecimento trágico: a repentina morte de Alekhine, em março de 1946, a qual deixou o mundo do xadrez sem campeão. Diante desse cenário, a FIDE tomou as rédeas do poder e pôs-se a trabalhar na organização do novo campeonato mundial. No Congresso da FIDE de 1947, foi aprovada a decisão de se promover um match-torneio entre os seis melhores jogadores do mundo, a saber: o ex-campeão mundial Euwe, os soviéticos Botvinnik, Keres e Smyslov, e os norte-americanos Reshevsky e Fine. Foi programada uma competição a quatro voltas, a ser celebrada em 1948, a primeira parte na cidade de Haia (Holanda) e a segunda parte em Moscou. No entanto, só participariam desse torneio cinco jogadores, porque Fine acabou recusando o convite. Por causa da sua desistência, decidiu-se que o torneio seria jogado a cinco voltas, em lugar das quatro inicialmente previstas. Isso significava que cada jogador deveria enfrentar os demais competidores cinco vezes. 



Em primeiro plano, os cinco aspirantes ao título mundial em 1948


O match-torneio foi vencido por Botvinnik com 14 pontos em 20 possíveis. Em seguida, veio Smyslov, com 11 pontos. Keres e Reshevsky terminaram empatados em 3º lugar, com 10,5 pontos, e Euwe ficou na última colocação, com apenas 4 pontos. Botvinnik foi então proclamado campeão do mundo, e se converteu em um herói da sua nação, consolidando-se como o líder da chamada Escola Soviética de xadrez, cuja abordagem científica do jogo exerceu uma grande influência sobre o desenvolvimento do pensamento enxadrístico. O reinado de Botvinnik inaugurou a hegemonia soviética no xadrez: pelos 24 anos seguintes, todos os campeões do mundo e seus desafiantes foram jogadores oriundos de países da União Soviética, uma hegemonia que só seria quebrada pelo genial Bobby Fischer, em 1972. Depois de conquistar o título mundial, Botvinnik deixou de jogar torneios, e passou a dar prioridade ao seu trabalho como engenheiro elétrico. Em 1951, ele conservou o título frente ao aspirante ucraniano David Bronstein, com quem empatou um match por 12 x 12 (+5 -5 =14). Na época, surgiram suspeitas, nunca inteiramente dissipadas, de que Bronstein fora obrigado pelas autoridades soviéticas a entregar o match para Botvinnik. Muitos anos mais tarde, em sua autobiografia, Bronstein daria uma declaração enigmática sobre o episódio: "A única coisa que estou preparado para dizer sobre tudo isto é que fiquei sujeito a forte pressão psicológica de várias fontes e que dependia totalmente de mim ceder ou não à pressão. Vamos deixar assim". Na minha opinião, a ordem para que Bronstein entregasse o match de fato existiu, e certamente influenciou o resultado do confronto. Apesar da sua grande força enxadrística, Botvinnik tinha estreitas ligações com a cúpula do regime totalitário da União Soviética, e comprovadamente utilizou o seu prestígio junto ao governo para prejudicar adversários e manipular resultados de torneios a seu favor. Um dia, ainda pretendo escrever um artigo a respeito desse lado sombrio do sexto campeão mundial.


Botvinnik vs. Bronstein: um match polêmico


No campeonato do mundo de 1954, Botvinnik de novo teve de se contentar com um empate em 12 x 12 (+7 -7 =10) frente a Smyslov, a quem cedeu o título mundial em 1957, com um resultado de 9,5 x 12,5 (+6 -3 =13). Esta derrota o estimularia, e Botvinnik encarou o encontro de revanche de 1958 com espírito de conquista. Seus dois pontos fortes, a força de vontade e o intenso trabalho analítico, lhe permitiram encontrar os pontos débeis do seu rival e reconquistar seu título. Essa situação se repetiu em 1960, contra a fulgurante estrela do xadrez Mikhail Tal. Botvinnik, que em três anos havia disputado um único torneio, perderia a coroa para Tal e a recuperaria no ano seguinte, aproveitando as debilidades do seu oponente e o seu precário estado de saúde. Manteve o título até 1963, quando foi destronado mais uma vez, desta feita por Tigran Petrosian. Foi então que a FIDE suspendeu o direito de revanche nas disputas pelo campeonato mundial, e Botvinnik, que não desejava mais competir pela coroa jogando um novo ciclo, abandonou suas pretensões de reaver o título mundial. Encerrou sua participação em torneios em 1970, e depois disso passou a se dedicar ao trabalho de professor de xadrez. Também tentou, sem êxito, criar um programa de xadrez para computador.


Botvinnik em 1962


Botvinnik, considerado "o Patriarca do xadrez soviético", foi elevado à categoria de lenda viva no seu país. Compartilhou sua paixão pelo xadrez com uma bem-sucedida carreira de cientista. Encarnou o jogo científico, racional, e foi um profundo analista de todas as fases do jogo, atribuindo uma grande importância ao trabalho de análise. Suas descobertas deram impulso à evolução da teoria do xadrez, principalmente no campo das aberturas. Seu jogo era marcado pela vontade de penetrar na "essência" das posições, e ele sempre encarou o xadrez com muita seriedade. Por exemplo, repudiava as partidas rápidas e blitz, e não queria saber de problemas de xadrez que não tivessem relação com uma partida concreta. Seu estilo era predominantemente posicional, mas, assim como todos os campeões mundiais, também dominava o jogo tático. Possuía uma personalidade forte e um caráter difícil, mantendo relações conflituosas com seus pares. Como professor, Botvinnik dirigiu uma escola voltada para o treinamento de jovens talentos soviéticos, de onde emergiram muitos Grandes Mestres, dentre eles os 3 Ks: Karpov, Kasparov e Kramnik. Faleceu em Moscou, no dia 05 de maio de 1995.

E agora, como temos feito em todas as publicações da série sobre os campeões mundiais, vamos apresentar ao público leitor uma partida que talvez seja a mais brilhante já jogada por Botvinnik, e uma das mais brilhantes de todos os tempos, graças à magnífica combinação iniciada com o sensacional lance 30. Ba3!! Essa partida foi disputada contra o ex-campeão mundial Capablanca, no torneio de AVRO (1938), e se tornou bastante famosa, por figurar em vários manuais de xadrez. Deleitem-se com essa obra-prima do ataque!



sexta-feira, 19 de junho de 2020

SEÇÃO MEMÓRIA


No dia 19/06/1981, há 39 anos, falecia na cidade de São Paulo a enxadrista Dora de Castro Rúbio, vencedora do primeiro Campeonato Brasileiro de Xadrez Feminino, disputado no Clube de Xadrez de São Paulo, em maio de 1957. Dora foi, portanto, a primeira campeã brasileira de xadrez, e viria a conquistar esse título em mais três ocasiões: 1960, 1961 e 1962. Foi ainda a vice-campeã brasileira em 1958 e 1959, e a 4ª colocada no Campeonato Brasileiro de 1967.


Dora Rúbio (à esq.) vs. Ruth Cardoso
 

quinta-feira, 18 de junho de 2020

TORNEIO DE ESPERANÇA - NOVO ADIAMENTO


Prezado(a)s amigo(a)s, o Diretor do Torneio de Esperança-PB, Joaquim Virgolino Filho, vem comunicar à comunidade enxadrística a sua decisão de adiar mais uma vez a XXIII edição do Torneio de Esperança. O referido torneio, que inicialmente havia sido programado para os dias 25 e 26 de abril de 2020, sofreu um primeiro adiamento devido à pandemia da Covid-19, que foi noticiado aqui no blog. O torneio foi remarcado para a primeira semana do mês de julho (dias 04 e 05/07), pois se esperava que, até lá, a situação de isolamento social provocada pela pandemia já tivesse sido superada. Porém, infelizmente, como essa previsão não se concretizou, e como o isolamento social continua em vigor naquela cidade, a Direção decidiu estabelecer um segundo adiamento, de forma que o Torneio de Esperança fica agora agendado para o último final de semana do mês de agosto (dias 29 e 30/08/2020). Esperamos que, até o final de agosto,  a situação já tenha sido normalizada e a competição possa ser realizada sem maiores transtornos, tomando-se todos os cuidados recomendados pelas autoridades sanitárias.

Havendo novas notícias sobre o Torneio de Esperança, voltaremos a divulgar em primeira mão aqui no Batalha de Mentes. Obrigado pela atenção.
 

terça-feira, 16 de junho de 2020

TORNEIO ON-LINE EM ANDAMENTO



I TORNEIO DE XADREZ ON-LINE #FIQUEEMCASA

Por Nando Lopes¹


Desde o dia 05 de junho, os enxadristas do Centro Cultural de Mangabeira estão participando do I Torneio de Xadrez on-line denominado #FIQUEEMCASA. A competição conta com 14 participantes e é realizado pela plataforma Lichess.org. Na categoria absoluto, o torneio conta com crianças, jovens e adultos, além de ter o foco na inclusão social.
A iniciativa surgiu da coordenadora do Centro Cultural de Mangabeira, Lúcia França, e de Nando Lopes, professor de xadrez e organizador do torneio.
A competição ocorrerá com rodadas semanais, onde todos se enfrentarão até o dia 30/06. Haverá premiação até a quinta colocação. 
 
Após 3 rodadas, a tabela atual de pontuação é a seguinte:


ENXADRISTA
PONTUAÇÃO   
01
ELIFAS
6
02
EDNA
6
03
VAL
6
04
ERLY
5 ½
05
KELVEN
5
06
TIAGO DAVI
3 ½
07
DAVI RYAN
2 ½
08
SABRINA
2 ½
09
M SOCORRO
2 ½
10
THIAGO ARNAUD
2
11
MATHEUS
½
12
ALUZEIR
2
13
NETO
0
14
PEDRO
0


Ainda faltam 10 rodadas, ou seja, temos muito jogo pela frente. Quem tiver interesse em participar do Clube de Xadrez que funciona no Centro Cultural de Mangabeira, pode entrar em contato pelo telefone 98817-4314 (whatsapp). Por enquanto, em obediência às normas de saúde, devido à pandemia, nossos encontros estão sendo on-line.






1 Fernando (Nando) Lopes é palestrante, arte-educador, cientista social, músico, compositor, ilusionista e mentalista. É fundador do Lopes Clube de Estudos Enxadrísticos, que está sediado no Centro Cultural de Mangabeira - João Pessoa/PB.