quarta-feira, 22 de julho de 2020

DESAFIO DE XADREZ - RESULTADO DA 4ª PARTIDA


Na noite de ontem (21/07) foi jogada a quarta partida do Desafio de Xadrez entre Luiz Fábio Jales e Joaquim Virgolino Filho, que faz parte de um match amistoso programado para 10 partidas. Neste quarto confronto, foi Joaquim que tentou me surpreender com as peças brancas, ao abrir o jogo com o lance d4. Respondi com a Defesa Semi-Tarrasch, uma das muitas variantes à disposição do segundo jogador para combater o Gambito da Dama. As brancas ficaram com o peão d4 isolado, e eu consegui capturá-lo no meio-jogo, após eliminar um das peças defensoras do peão. Ao mesmo tempo, também consegui enfraquecer a estrutura de peões do roque, deixando o rei branco um tanto exposto. Por fim, aproveitando a exposição do monarca inimigo, as negras deram xeque com a dama e na sequência ganharam uma torre limpa, pondo um fim à batalha. Com esse resultado, conquistei a terceira vitória consecutiva no match, e o placar se situa neste momento em 3,5 x 0,5 a meu favor. A quinta partida está programada para acontecer na noite da próxima sexta-feira, dia 24/07. Será que Jales vencerá mais uma vez, ou Joaquim alcançará sua primeira vitória e reduzirá a vantagem do adversário? Vejamos o que o destino reserva aos contendores...até lá!


Placar após 4ª partida: Jales 3,5 x 0,5 Joaquim

terça-feira, 21 de julho de 2020

OS RECORDES DE PETROSIAN


Conforme registramos na última publicação da série Galeria dos Campeões Mundiais de Xadrez, o nono campeão do mundo, o GM soviético Tigran Petrosian, era um jogador muito difícil de ser derrotado. Segundo informa Yasser Seirawan em seu livro Duelos de xadrez, Petrosian é detentor de dois recordes impressionantes: pouco antes de se tornar campeão mundial, ele conseguiu a extraordinária façanha de passar pelo Torneio Interzonal e pelo Torneio de Candidatos de 1961-1962 sem uma única derrota! Além disso, ele integrou dez vezes a equipe olímpica soviética entre 1958 e 1978, obtendo o sensacional histórico de 78 vitórias, 50 empates e somente uma derrota! Que jogador formidável, amigo(a)s!


Petrosian com a equipe olímpica soviética
 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

20 DE JULHO, DIA INTERNACIONAL DO XADREZ


Por uma decisão da FIDE, a comunidade enxadrística comemora no dia de 20 de julho o Internacional Chess Day, ou Dia Internacional do Xadrez. Essa data foi escolhida por coincidir com o dia de fundação da FIDE, ocorrida em 20 de julho de 1924, e foi comemorada pela primeira vez no ano de 1966.
Mas e quanto ao dia 19 de novembro, que é considerado o Dia Mundial do Xadrez? Bom, me parece que não há uma diferença significativa entre essas duas datas comemorativas, a não ser pelo fato de uma delas ter sido escolhida por iniciativa da FIDE e a outra ter sido escolhida por iniciativa da própria comunidade enxadrística. O que vale mesmo é comemorar, então deixo aqui meu abraço a todo(a)s o(a)s praticantes do jogo-arte-ciência! O xadrez é um jogo tão especial que tem até duas datas comemorativas dedicadas a celebrar o seu dia!



sábado, 18 de julho de 2020

GALERIA DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DE XADREZ - PETROSIAN


Na presente publicação da série Galeria dos Campeões Mundiais de Xadrez, apresentaremos aos nossos leitores um resumo da vida e da carreira enxadrística do nono campeão do mundo, o inolvidável Tigran Petrosian.


TIGRAN PETROSIAN


De ascendência armênia, Tigran Vartanovitch Petrosian nasceu em Tbilisi, capital da Geórgia, no dia 17 de junho de 1929. Aprendeu a jogar xadrez em 1941, por volta dos 12 anos, e em seguida inscreveu-se no clube de pioneiros da sua cidade natal. Ali fez notáveis progressos, convertendo-se em menos de um ano em um dos melhores jogadores do clube. Entre os 13 e os 15 anos, estudou os livros de Nimzovitsch, que exerceram grande influência sobre o seu estilo, e treinou bastante partidas às cegas. Ganhou os campeonatos nacionais da Geórgia e da Armênia (país vizinho), e sagrou-se duas vezes campeão juvenil da União Soviética. Ganhou o campeonato soviético absoluto em quatro ocasiões: 1959, 1961, 1969 e 1975, além de ter sido membro habitual da equipe soviética e participado de dez ciclos de candidatos ao título mundial, de 1953 a 1980. Apesar desses êxitos competitivos, Petrosian nunca conseguiu suscitar o entusiasmo do público, que criticava seu jogo excessivamente cauteloso e sua inclinação para os empates. O lema de Petrosian sempre foi o de buscar a segurança em primeiro lugar, preferindo manobrar lentamente e tentar destruir os planos do adversário, esperando a chance de forçar um deslize para somente então partir para o ataque. Com um estilo assim, dificilmente se perde, mas tampouco é fácil ganhar. Existe até uma anedota a respeito dessa suposta falta de ambição de Petrosian: segundo narra Yasser Seirawan em seu livro Duelos de xadrez: minhas partidas com os campeões mundiais, "a piada que circulava era que, se Petrosian estivesse determinado a empatar uma partida, nada era capaz de detê-lo, nem mesmo uma posição ganha", o que, evidentemente, é um exagero. Em 1962, apesar de não ser apontado como um dos favoritos, o "Tigran de Aço", como era apelidado, venceu o Torneio de Candidatos de Curaçao, com meio ponto à frente de Keres e Geller, tornando-se aspirante oficial ao título mundial.


O jovem Tigran Petrosian


O match pelo Campeonato Mundial contra Botvinnik foi realizado em Moscou, entre os dias 23 de março e 20 de maio de 1963, e Petrosian procurou se preparar cuidadosamente para a dura batalha que teria pela frente. Na primeira partida, o jogo passivo do desafiante foi castigado pelo campeão com enérgicas ações, e Petrosian perdeu. Depois desse resultado desfavorável, ele compreendeu que teria que jogar com mais agressividade se quisesse destronar Botvinnik, e foi isso o que se prontificou a fazer. Na quinta partida, Petrosian igualou o placar, e na sétima partida tomou a dianteira do confronto. Botvinnik realizou esforços para tentar alcançar seu rival, e no 14º jogo conseguiu igualar o marcador. Mas na fase final do match, Petrosian jogou melhor do que o oponente e alcançou mais três vitórias, vencendo o encontro por 12,5 x 9,5 (+5 -2 =15) e proclamando-se o novo campeão do mundo. Depois do match, Botvinnik se queixou de não haver conseguido se adaptar ao incompreensível estilo de Petrosian. Diferentemente de Smyslov e Tal, que tiveram de defender seu título um ano depois de tê-lo conquistado, Petrosian pôde desfrutar pacificamente de três anos de reinado, devido à abolição, por parte da FIDE, da regra que garantia ao campeão derrotado o direito a um match-revanche. Com isso se encerrava a gloriosa era Botvinnik, com suas lutas pela coroa mundial, após 15 anos!


Botvinnik vs. Petrosian - Campeonato Mundial de 1963


Em 1966, o campeão teve de defender seu título contra o desafiante Boris Spassky. Spassky era mais jovem, e seu estilo mais agressivo e universal do que o de Petrosian. Além disso, ele havia vencido de forma tão convincente os seus matches durante o ciclo do Campeonato Mundial, que foi considerado o favorito na disputa pela coroa. Porém, contrariando os prognósticos daqueles que previram sua derrota, Petrosian jogou de maneira bastante ativa e original, ganhando o confronto por uma vantagem mínima: 12,5 x 11,5 (+4 -3 =17). Em 1969, novamente os dois formidáveis rivais se defrontaram em um segundo encontro válido pelo Campeonato Mundial. Spassky se mostrou melhor preparado do que seu adversário, e desta vez o match terminou com a vitória do desafiante, pela contagem de 12,5 x 10,5 (+6 -4 =13). Spassky finalmente havia conseguido domar o "Tigran de Aço", e era agora o novo campeão! Nos anos seguintes à perda do título, Petrosian continuou a figurar entre os mais fortes enxadristas do mundo, participando de Torneios de Candidatos, Olimpíadas de xadrez e outras competições de alto nível. 


Foto de Petrosian com o seu autógrafo


O estilo de jogo de Petrosian era baseado em princípios "profiláticos", que foram desenvolvidos por Nimzovitsch em sua famosa obra Meu Sistema, e que tinham como ideia básica a tentativa de prevenção contra os planos e ameaças do adversário. Provavelmente nenhum outro mestre da história do xadrez tenha dominado tão profundamente a arte da profilaxia quanto Petrosian, a ponto de Bobby Fischer, um de seus maiores rivais, afirmar em certa ocasião: "Petrosian tem a habilidade de ver e eliminar o perigo 20 lances antes de que ele apareça!". Apesar da fama de ser um jogador defensivo, que o acompanhou por toda a sua carreira, Petrosian possuía uma excepcional visão tática, e muitas vezes empregou em suas partidas os chamados "sacrifícios posicionais", um tipo de sacrifício que não tem como objetivo o ganho de material, e sim o fortalecimento da posição. Dotado de um profundo e sutil entendimento estratégico, de uma técnica refinada e de um forte senso de perigo, Petrosian foi um jogador muito difícil de ser batido. Kasparov corrobora esse fato, ao escrever, no 3º volume de Meus Grandes Predecessores, que "nos seus melhores anos, Tigran Petrosian [...] costumava perder tão raramente que cada derrota sua tornava-se uma sensação". Mais adiante, na mesma obra, Kasparov lamenta o fato de até hoje as partidas dele não terem sido estudadas "tão profunda e completamente quanto se gostaria". Tigran Petrosian faleceu em Moscou, no dia 13 de agosto de 1984, aos 55 anos de idade, vítima de um câncer no estômago.

A seguir apresentaremos uma das melhores partidas da carreira de Petrosian, o jogo n.º 10 do match pelo Campeonato Mundial de 1966, em que o "Tigran de Aço" liquida o grande Boris Spassky com um desconcertante golpe tático, um belo sacrifício de dama em h8! Confira!!



DESAFIO DE XADREZ - RESULTADO DA 3ª PARTIDA


Foi disputada na noite de ontem (17/07) a terceira partida do Desafio de Xadrez entre Luiz Fábio Jales e Joaquim Virgolino Filho, que faz parte de um match amistoso programado para 10 partidas. Nesse terceiro confronto, novamente tive as peças brancas, e optei por abrir o jogo com 1. e4, após o que Joaquim respondeu jogando 1. ...c6, lance que caracteriza a Defesa Caro-Kann. Como não havia me preparado para jogar contra essa defesa, resolvi tentar surpreender meu adversário empregando um gambito na abertura. O jogo continuou com: 2. d4 d5 3. c4 dxe4 4. Cc3 Cf6 5. Bg5 Bf5 6. f3!? exf3 7. Cxf3, linha que o site Chess.com nomeou de Gambito Diemer. Como costuma acontecer com o jogador que aceita um gambito, meu oponente ficou atrasado no desenvolvimento, e eu procurei tirar proveito disso para criar algumas ameaças contra a sua posição. Depois de algumas trocas de peças no meio-jogo, as negras perderam a qualidade, e no final de partida acabaram caindo numa cilada e perderam um bispo, deixando as brancas com duas torres contra uma, ficando impossibilitadas de prosseguir na disputa. Com esse resultado, conquistei minha segunda vitória no match, cujo placar está agora em 2,5 x 0,5 a meu favor. A 4ª partida está prevista para ocorrer na próxima terça-feira à noite (21/07). Até lá!


Placar após 3ª partida: Jales 2,5 x 0,5 Joaquim

sexta-feira, 17 de julho de 2020

20 RAZÕES PARA VOCÊ JOGAR XADREZ!


Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, o xadrez é muito mais do que um simples jogo de estratégia disputado sobre um tabuleiro quadriculado, entre duas pessoas. A seguir, encontram-se listadas 20 razões que mostram por que o xadrez é tão especial, e quais os benefícios que ele pode trazer aos seus praticantes:


1) O xadrez é um jogo para pessoas de todas as idades. Ao contrário de muitos outros esportes, você nunca precisará se aposentar. 

2) O xadrez desenvolve a memória. Você aprenderá a reconhecer vários padrões e a lembrar-se de longas variantes. 

3) O xadrez melhora a concentração. Durante uma partida, você focaliza apenas um objetivo principal: dar o xeque-mate e conseguir a vitória. 

4) O xadrez desenvolve o pensamento lógico.  

5) O xadrez desenvolve a imaginação e a criatividade. Há uma quantidade infinita de belíssimas combinações a serem construídas. 

6) O xadrez ensina independência. Você é forçado a tomar importantes decisões influenciado apenas pelo seu próprio julgamento. 

7) O xadrez desenvolve a capacidade de prever as consequências das ações: ensina a olhar para os lados antes de cruzar uma rua. 

8) O xadrez inspira a automotivação. Incentiva a procura pelo melhor movimento, o melhor plano, a continuação mais bonita dentre as inúmeras possibilidades. Encoraja o progresso, sempre buscando acender a chama da vitória. 

9) O xadrez demonstra que o sucesso recompensa o trabalho árduo. Quanto mais você praticar e estudar, melhor jogará. Você deve estar pronto para perder e aprender com os seus erros. 

10) O xadrez é ciência: o xadrez desenvolve o modo científico de pensar. 

11) O xadrez é matemática: o xadrez envolve um número infinito de cálculos, e você usa a cabeça para fazê-los e não alguma pequena máquina. 

12) O xadrez é pesquisa: Há milhões de pesquisas para cada aspecto do jogo. 

13) O xadrez é arte: na Grande Enciclopédia Soviética, o xadrez é definido como "uma arte que aparece na forma de um jogo". O xadrez permite o surgimento do artista que está dentro de você. Sua imaginação percorrerá de maneira selvagem, com possibilidades infinitas, as 64 casas do tabuleiro. Você pintará em sua mente quadros e posições ideais e de postos avançados perfeitos para os seus soldados. Como um artista do xadrez, terá um estilo original e personalidade. 

14) O xadrez é psicologia. O xadrez é um teste de paciência, nervos, determinação de poder e concentração. Aumenta a sua habilidade para interagir com as outras pessoas e testa o seu espírito esportivo em um ambiente competitivo. 

15) O xadrez melhora o desempenho escolar e as notas. Numerosos estudos provaram que as crianças obtêm melhor desempenho em leitura e matemática e um aumento na capacidade geral de aprendizagem como resultado da prática do xadrez. 

16) O xadrez abre o mundo para você. Não é preciso ser um jogador de alto nível para participar de competições importantes. O xadrez proporciona inúmeras oportunidades de viajar não apenas pelo país, mas por todo o mundo.

17) O xadrez lhe permite conhecer muitas pessoas interessantes. Você fará amizades duradouras com pessoas que irá conhecer por meio do xadrez. 

18) O xadrez desopila a mente. Você anda preocupado com o seu trabalho, colégio ou outro assunto? Então jogue uma partida de xadrez e desopile!

19) O xadrez fortalece o relacionamento familiar. É uma oportunidade de integrar avós, pais, filhos e familiares.

20) O xadrez é divertido! Não é apenas outro jogo de tabuleiro. Nenhuma partida de xadrez se repete, o que significa que você cria novas ideias a cada partida. Nunca fica monótono! Em cada partida você é o general de um exército e sozinho decide o destino de seus soldados. Pode sacrificá-los, trocá-los, defendê-los ou ordenar que avancem sobre quaisquer barreiras e cerquem o rei inimigo. Você tem o poder! 





Fonte:  https://comojogarxadrez.com.br/porque-jogar-aprender-xadrez.html
 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

PENSAMENTO DO DIA


"Sim, talvez eu goste da defesa mais do que do ataque, mas quem deu provas de que a defesa é uma ocupação menos arriscada e perigosa do que o ataque? E será mesmo que são poucas as partidas que encontraram seu lugar no patrimônio artístico do xadrez justamente graças a uma defesa virtuosa?" (GM Tigran Petrosian).


 

quarta-feira, 15 de julho de 2020

O OLHAR HIPNÓTICO DE TAL


Uma das "lendas" que circulam na literatura enxadrística é aquela que fala sobre as supostas propriedades hipnóticas presentes no olhar de Mikhail Tal. Principalmente durante sua juventude, o "Mago de Riga" tinha o hábito de olhar fixamente para os adversários durante certos momentos da partida, e alguns deles se sentiam incomodados com o contato visual. Esse fato deu origem a episódios curiosos e engraçados, como o que aconteceu no Torneio de Candidatos de 1959, disputado na Ioguslávia e vencido por Tal. Nesse torneio, cada um dos oito participantes teria que enfrentar os demais competidores quatro vezes. O GM Pal Benko já havia perdido dois dos seus quatro confrontos contra Tal, e tentou justificar suas derrotas alegando que o GM letão exercia uma influência sobre ele, como se o hipnotizasse. Para escapar a essa influência, Benko se apresentou para a terceira partida contra Tal usando óculos escuros, para mostrar simbolicamente que não queria ver o seu rival. Em resposta, o bem-humorado e irônico Tal também colocou óculos escuros que pegara emprestado com Petrosian, e que eram grandes demais para o seu rosto, provocando risos do público e dos jogadores presentes no salão, inclusive do próprio Benko. Este só tirou os óculos escuros depois do lance 20, quando sua posição já estava perdida. Mais tarde, Kortchnoi adotou a mesma técnica de usar óculos escuros espelhados em seu primeiro match pelo Campeonato Mundial contra Karpov, mas, a exemplo do que ocorrera com Benko, o acessório também não foi capaz de livrá-lo da derrota...😂😎


Mikhail Tal e o seu famoso olhar "hipnótico"
 

DESAFIO DE XADREZ - JALES LARGA NA FRENTE


Foi disputada na noite de ontem (14/07) a segunda partida do Desafio de Xadrez entre Luiz Fábio Jales e Joaquim Virgolino Filho. O match amistoso entre os dois enxadristas está programado para ter 10 jogos, e o primeiro deles, como devem saber os leitores, terminou empatado por tripla repetição de posição. Nesta segunda partida o autor destas linhas tinha as peças negras, e resolveu empregar a Defesa Francesa para enfrentar o lance 1.e4 de Joaquim. Meu estimado adversário escolheu a Variante do Avanço (ou Variante Nimzovitsch), caraterizada pelos movimentos 1. e4 e6 2. d4 d5 3. e5, que costuma levar a posições complexas no meio-jogo. O bravo Joaquim tentou construir um perigoso ataque na ala do rei, mediante a instalação de um forte cavalo em f6 e o avanço dos peões do roque, e chegou a ter vantagem a certa altura, mas cometeu algumas imprecisões e permitiu a troca de algumas peças, me possibilitando neutralizar a força do seu ataque. As negras buscaram o contra-ataque na ala da dama, e na jogada 33 ganhei um peão, obtendo dois fortes peões passados e unidos nas colunas c e d, que se mostraram decisivos. Na sequência as brancas perderam material, e se viram obrigadas a abandonar alguns lances depois. Com esse resultado, consegui abrir o placar do match, que neste momento está em 1,5 x 0,5 a meu favor. A 3ª partida está prevista para ocorrer na próxima sexta-feira à noite, e tem tudo para ser mais um confronto emocionante. Até breve!


Placar após 2ª partida: Jales 1,5 x 0,5 Joaquim
 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

GALERIA DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DE XADREZ - TAL


Retomando a nossa série de postagens sobre os campeões mundiais de xadrez, hoje iremos falar a respeito do oitavo campeão do mundo, Mikhail Tal, um dos mais brilhantes enxadristas de todos os tempos e um dos meus ídolos no xadrez! 


MIKHAIL TAL


Mikhail Nekhemevitch Tal nasceu em Riga, capital da Letônia, no dia 09 de novembro de 1936. Desde a infância, o pequeno "Misha" demonstrou uma inteligência fora do comum, tornando-se um autêntico prodígio para os estudos em geral, em particular para o cálculo matemático. Aprendeu xadrez por volta dos oito anos com seu pai, porém somente aos 17 anos jogaria sua primeira partida séria contra um Grande Mestre. Quando pensamos que oito anos depois ele já era ex-campeão mundial, nos damos conta de quão rápido foi o seu progresso no jogo-arte-ciência! O primeiro grande êxito competitivo de Misha foi obtido em 1957, quando ele se converteu em campeão da União Soviética pela primeira vez, com apenas 20 anos de idade! A partir daí sua ascensão ao Olimpo do xadrez foi meteórica: aos 21 anos, ele voltou a ganhar o campeonato soviético, ganhando também o Interzonal de Portoroz, e aos 22 anos venceu o Torneio de Candidatos da Ioguslávia (1959), qualificando-se para enfrentar o poderoso "Patriarca da Escola Soviética", Mikhail Botvinnik, em um match pelo Campeonato Mundial!
  

O jovem Mikhail Tal

Quando Tal venceu o campeonato soviético pela primeira vez, ele causou admiração não só pela sua juventude, mas também em razão do seu estilo ousado e repleto de sacrifícios. Antes de Tal, havia sido difícil surpreender o mundo do xadrez com algo novo, por isso nem podemos imaginar o tipo de emoções que despertou a aparição da jovem estrela na arena internacional. Suas vitórias eram espetaculares, e ele rapidamente conquistou a reputação de um  brilhante jogador de ataque, ao mesmo tempo em que arrebanhou uma multidão de fãs ao redor do mundo. "Desnecessário dizer", escreve Kasparov no 2º volume de Meus Grandes Predecessores, "que o jogo rebelde de Tal, intuitivo e distante das prosaicas especulações de torneios, conquistou o coração dos aficcionados do xadrez de todas as partes". A sorte parecia favorecer a esse destemido artista do tabuleiro, mas o momento crucial na fulgurante trajetória do "Mago de Riga" estava se aproximando: seria ele capaz de ultrapassar a sólida muralha representada pelo então campeão mundial Botvinnik?  




O match pelo Campeonato Mundial que colocou frente a frente esses dois jogadores de estilos antagônicos foi realizado em Moscou, entre os dias 15 de março e 07 de maio de 1960. Foram jogadas 21 partidas, das quais Botvinnik só conseguiu vencer a 8ª e a 9ª, ao passo que Tal venceu seis, ganhando assim o confronto pelo placar de 12,5 x 8,5 (+6 -2 =13) e sagrando-se o mais jovem enxadrista da história a conquistar o título mundial (23 anos), recorde que só seria quebrado em 1985, por Kasparov. O mundo do xadrez estava atônito! Tal havia conseguido um triunfo colossal, ao abater os fundamentos da velha escola posicional, da qual Botvinnik era o representante máximo. Sua vitória encheu de felicidade todos os partidários do jogo arriscado e combinativo, mas, a exemplo do que ocorrera com Smyslov dois anos antes, sua alegria iria durar pouco. Devemos lembrar que as regras de disputa estabeleciam o direito de Botvinnik a um match-revanche, que foi celebrado no ano seguinte, 1961. Para o segundo confronto, Botvinnik procurou melhorar sua capacidade tática, para tentar se equiparar a Tal, e principalmente buscou empregar aberturas e planos de meio-jogo que levassem a posições fechadas, em que as peças tivessem pouca mobilidade, a fim de refrear o ímpeto ofensivo do seu rival e superá-lo no terreno estratégico. Essa mudança na forma de jogar, aliada ao estado de saúde debilitado de Tal, fizeram com que o desafiante atingisse o objetivo almejado, tanto é que o Mago de Riga mais tarde escreveria, em seu livro En el fragor del ataque: "Posso assegurar-lhes que me preparei para este segundo encontro com a mesma intensidade que para o primeiro, mas não estava absolutamente preparado para afrontar a metamorfose de Botvinnik. [...] O Botvinnik do primeiro match e o Botvinnik do match-revanche eram pessoas distintas, embora ambos jogadores fossem do mesmo alto nível". O match-revanche de 1961 terminou com a contundente vitória de Botvinnik por 13 x 8 (+10 -5 =6), e Tal se viu despojado do título mundial. Seu reinado, lamentavelmente, durou apenas 1 ano e 5 dias. 


Tal vs. Botvinnik - Campeonato Mundial de 1960


Embora nunca mais tenha conseguido recuperar a coroa do xadrez, Mikhail Tal se manteve durante muito tempo entre os melhores enxadristas do mundo, vencendo vários torneios importantes e protagonizando longas sequências de partidas invictas, uma façanha extraordinária para um jogador conhecido pela sua inclinação ao risco! A respeito do estilo de Tal, pouco temos a acrescentar além do que já foi dito até aqui. É válido ressaltar que ele era dotado de uma fenomenal imaginação, de uma memória fotográfica e de uma fantástica capacidade de cálculo, e que seus ataques muitas vezes eram baseados não no cálculo concreto, mas sim em sua inspiração intuitiva. É sabido que muitas das combinações que Tal executava sobre o tabuleiro não podiam ser calculadas até o final, e nas posições complexas e "irracionais" que eram criadas em suas partidas, frequentemente seus adversários se equivocavam e não conseguiam encontrar a defesa correta, sucumbindo perante as complicações surgidas. Ele expressava esse fato com uma frase que se tornou famosa: "Há dois tipos de sacrifícios: os corretos e os meus". Como autor de livros de xadrez, Tal legou à literatura enxadrística alguns dos melhores livros já escritos, dentre eles aquele em que o autor analisa as suas partidas contra Botvinnik pelo Campeonato Mundial de 1960. Seu último êxito competitivo foi a vitória no Campeonato Mundial de Xadrez Relâmpago realizado pela FIDE em 1988, à frente de Karpov e Kasparov, os dois jogadores mais fortes do mundo na época. Infelizmente, esse gênio das combinações manifestou uma postura descuidada com sua saúde, que foi durante muitos anos prejudicada pelo consumo abusivo de álcool e sobretudo do cigarro. Certamente esse foi um fator que contribuiu para a sua morte prematura, ocorrida no dia 28 de junho de 1992, aos 55 anos.  Em homenagem à sua memória, anualmente, desde 2006, é realizado em Moscou o Memorial Mikhail Tal.  




A partida que exibiremos a seguir, uma tensa batalha travada contra Karpov em 1987, é típica do brilhante estilo de ataque do "furacão tático" Mikhail Tal!