Blog destinado a reverenciar a memória dos grandes enxadristas do passado e a divulgar textos e notícias sobre xadrez, em especial sobre o xadrez paraibano.
Luís Ramírez de Lucena (1465-1530) foi um enxadrista e teórico espanhol, autor do primeiro livro contendo as regras do xadrez moderno. O livro, publicado em 1497 na cidade de Salamanca, tinha o singular título de "Repetición de Amores y Arte de Axedrez", e foi escrito em espanhol arcaico. O livro está dividido em duas partes, uma tratando sobre o xadrez e a outra sobre o amor. A seção sobre enxadrismo contém dez aberturas e cento e cinquenta problemas. O referido livro também contém alguns conselhos que Lucena dirige aos seus leitores... por meio desses conselhos, percebe-se que o xadrez ainda era jogado geralmente com apostas e que os jogadores daquela época não eram muito escrupulosos quanto aos meios utilizados para se obter vantagem sobre os adversários (conduta que ainda perdura nos tempos atuais, infelizmente).
Entre as sugestões de Lucena, podem-se citar as seguintes: "A peça tocada deve ser movida ainda que não exista aposta, a menos que deixe o rei em xeque"; "Se jogardes à noite com uma única vela, colocai-a de vosso lado esquerdo, de modo que não atrapalhe vossos olhos; se jogardes de dia, colocai vosso adversário voltado para a luz, o que vos dará grande vantagem. Procurai também jogar com vosso adversário quando ele tiver acabado de comer e beber abundantemente. Para jogar durante muito tempo é melhor ter comido ligeiramente. Para evitar de ficar atordoado durante o jogo, deveis beber água, mas, de maneira alguma, vinho. E jogai apenas em períodos curtos e com apostas bastante pequenas para evitar a possibilidade de sua perda pesar em vossa mente"... É meus amigos, a julgar por estes conselhos, podemos concluir que a "malandragem" no xadrez é muito mais antiga do que imaginávamos! 😅😅
Cópia do livro de Lucena, conservada na Universidade de Salamanca
"Os programas de xadrez são nossos inimigos, eles destroem o romance do xadrez. Eles tiram a beleza do jogo. Tudo pode ser calculado" (GM Levon Aronian).
Prezado(a)s amigo(a)s, é chegado o momento de publicarmos mais uma entrevista da nossa Seção Bate & Rebate, a de número 8. Como todos já sabem, o
propósito desta seção, idealizada pelo nosso amigo e colaborador Joaquim
Virgolino, é promovermos a interação com enxadristas de todo o Brasil e
até do exterior, por meio de entrevistas rápidas, no formato
"pingue-pongue", que são realizadas por Joaquim e publicadas sempre aos sábados. A nossa convidada de hoje é a jovem e bela jogadora paulistana Amanda Grum. Infelizmente, não conseguimos localizar na internet muitas informações a respeito de Amanda, de modo que não teremos como publicar um resumo do seu currículo enxadrístico, como normalmente fazemos com outros entrevistados. Feito esse esclarecimento, gostaríamos de agradecer ao amigo Joaquim e também à enxadrista Amanda, pela sua gentileza e disponibilidade em nos conceder esta entrevista. Vamos lá!
NOME: Amanda Soares Grum
IDADE: 20 anos
CIDADE NATAL: São Paulo-SP
01 - Qual é a sua cor favorita? R.: Preto.
02 - Comida de que mais gosta? R.: Carne assada.
03 - Bebida preferida? R.: Café.
04 - Um filme inesquecível?R.: À espera de um milagre.
05 - Qual o livro de xadrez mais interessante que você já leu?R.: Partidas selecionadas de V. Smyslov.
06 - Uma música que marcou vida? R.: My sacrifice (acústico), da banda Creed.
Obs.: Conheça a música escolhida pela entrevistada assistindo ao vídeo a seguir:
07. Qual o seu maior medo? R.: Não conseguir me formar em Engenharia Aeronáutica.
08. Um sonho?R.: Acho que visitar o Mar Morto.
09. Quais as três pessoas que você adoraria convidar para jantar? R.: Chris Evans, Albert Einstein.
10. Uma partida ou lance inesquecível de alguma lenda do xadrez? Partida Byrne x Fischer (1956).
11. Quem é o seu jogador de xadrez favorito?R.: Fischer.
12. Seu maior defeito?R.: Paciência curta.
13. Uma atriz ou ator?R.: Tom Hanks.
14. Estilo musical preferido? R.: Rock.
15. Eu não tiro o chapéu para...R.: Eu não tiro o chapéu para adolescente comunista (risos).
16. Qual ensinamento ou princípio do xadrez é útil na sua vida cotidiana?R.: Um plano ruim é melhor do que nenhum plano.
17. O que você salvaria da sua casa se ela estivesse pegando fogo? (Apenas duas coisas)R.: Minha caixa de cartas e meu livro do Carlos Drummond.
18. O que você aprecia em uma pessoa?R.: Honestidade.
19. Existe alguma coisa que você gostaria de aprender? R.: Dançar... sou péssima, mas acho divertido.
20. Um arrependimento? R.: Tatuagens.
21. Seu ídolo? R.: Meu pai.
22. Que animal você seria? R.: Leão.
23. Amanda Grum por Amanda Grum:R.: Estou sempre de encontro com o coração.
E
assim amigo(a)s, chegamos ao fim mais uma entrevista. Esperamos que tenham
gostado de conhecer a nossa entrevistada de hoje, a jovem Amanda Grum. Sábado que vem tem mais Seção Bate
& Rebate, desta vez com a participação de um jogador de nível internacional! Até breve!
No âmbito dos estudos da Língua Portuguesa, a antonomásia é uma figura de linguagem que consiste na substituição de um nome por outro, ou por uma expressão que facilmente o identifique. Essa substituição é feita com base em uma característica ou qualidade que serve para identificar a pessoa, objeto, localidade ou entidade a qual queremos nos referir. Assim, quando uma pessoa diz que é fã do "Rei do Pop", saberemos que ela está se referindo a Michael Jackson, um dos maiores ícones musicais da história e artista de inigualável talento. Da mesma forma, se essa pessoa afirmar que visitou "a Cidade Luz", saberemos que ela está fazendo referência à Paris, capital da França e centro turístico mundialmente conhecido. Nesse contexto, "Rei do Pop" e "Cidade Luz" são exemplos de antonomásias. Ao longo do desenvolvimento da literatura enxadrística, essa figura de linguagem também foi empregada para nomear jogadores e partidas célebres. Em nossa última postagem, por exemplo, nós mencionamos que o genial jogador italiano do século XVII, Gioacchino Greco, era conhecido como "O Calabrês". Já Adolf Anderssen, um dos grandes expoentes da era romântica do xadrez, foi o protagonista das famosas partidas "A Imortal" e "A Sempre-Viva".
"Rei do Pop" é um exemplo de antonomásia
A fim de testar o conhecimento do(a)s leitore(a)s, vamos apresentar agora uma lista de 20 antonomásias que aludem a enxadristas famosos, para que vocês tentem descobrir a quem essas expressões se referem. Algumas são bem fáceis, outras mais difíceis, mas acredito que o(a) amigo(a) leitor(a) deverá acertar a maioria. Na segunda-feira, irei publicar o nome de cada jogador, e tentarei explicar o motivo pelo qual ele ganhou o apelido que o caracteriza. Fiquem à vontade para colocar as respostas nos comentários. Boa sorte!
Existe no xadrez um padrão de xeque-mate conhecido como o "Mate de Greco", em homenagem a Gioacchino Greco (1600-1634), que foi um dos primeiros autores de manuscritos dedicados ao xadrez. A posição desse mate, representada no diagrama abaixo, apareceu pela primeira vez em um tratado que Greco fez publicar em 1619. Esse padrão de mate combina o controle da casa do rei adversário por parte de uma peça atacante com um xeque fatal na coluna "h", e faz parte dos temas de ataque ao roque, sobretudo nas posições de roques em lados opostos. Vejamos:
O famoso "Mate de Greco"
Como podemos ver no diagrama, as brancas controlam a casa g8, e podem abrir a coluna h com um sacrifício, ganhando a partida:
1. Txh7+ Isto elimina o último defensor do rei negro.
1. ... Rxh7 (forçado) 2. Dh5#.
QUEM FOI GRECO?
No ano de 1600, nascia na Calábria (sul da Itália) Gioacchino Greco, que se converteria no mais brilhante enxadrista do seu tempo. Por causa do seu lugar de origem, foi mais tarde apelidado de Il Calabrese, que significa "O Calabrês". Autodidata, aprendeu a jogar lendo os livros de Ruy Lopez de Segura e Alessandro Salvio. A certa altura da vida muda-se para Roma, onde conquista a amizade de autoridades da Igreja Católica. A pedido deles, escreve uma obra sobre xadrez que veio a lume em 1619. Depois percorre a França e a Inglaterra, sempre enfrentando os melhores jogadores de cada localidade e escrevendo livros sob a proteção dos mecenas. Por fim, dirige-se a Madri, instalando-se na corte do Rei Felipe IV, onde ninguém consegue derrotá-lo. Um nobre espanhol o convida a acompanhá-lo numa viagem às Antilhas, onde vem a falecer, em 1634. Greco é considerado por estudiosos como sendo o melhor enxadrista do século XVII.
Como já mencionamos em outras oportunidades, o livro Duelos de xadrez: minhas partidas com os campeões mundiais, do GM Yasser Seirawan, está repleto de histórias curiosas e relatos interessantes sobre vários grandes jogadores, dentre eles nove ex-campeões mundiais de xadrez. É um livro fabuloso, uma obra que não pode faltar na biblioteca de um entusiasta do xadrez, e é sem dúvida um dos meus favoritos.
Um desses relatos curiosos é uma história narrada pelo GM estadunidense Arthur Bisguier, já falecido, transcrita por Seirawan em seu livro, e que envolve ninguém menos do que o lendário Bobby Fischer. Com a palavra, Bisguier: “Jogando contra Bobby no Aberto do
Estado de Nova Iorque naquele ano [1963], percebi que ele estava demorando demais para
jogar. Daí vi que ele tinha pegado no sono.
Em alguns minutos a seta em seu relógio iria
cair e ele perderia por tempo. Não é assim
que gosto de ganhar partidas, torneios ou
títulos. Por isso cometi o que alguns chamaram de maior erro do torneio. Eu acordei o
Fischer. Bobby bocejou, deu seu lance, bateu
no relógio e me derrotou. Essa acabou sendo a partida 45 em My 60 Memorable Games.
Depois eu soube que Fischer tinha ficado
acordado até tarde na noite anterior, jogando blitz para ganhar dinheiro”.
GM Arthur Bisguier (1929-2017)
Que bela história, hein amigos? Ao tomar conhecimento dela, chama-nos a atenção a conduta ética de Bisguier, ao se ver diante daquela situação inusitada. No momento em que ele percebeu que Fischer havia cochilado, certamente já deveria estar numa posição difícil no tabuleiro, mas não hesitou e despertou seu oponente, para não ter que vencer uma partida contra um adversário mais qualificado de um modo pouco digno. Eu teria feito exatamente a mesma coisa no lugar dele. Em uma época de competitividade exacerbada como a nossa, em que muitos jogadores trapaceiam e procuram vencer de qualquer maneira, mesmo que para isso tenham que fazer uso de meios escusos, a atitude de Bisguier perante Fischer nos leva de volta aos tempos do xadrez romântico, em que o comportamento cavalheiresco dos jogadores era a regra, e não a exceção. Que possamos resgatar este comportamento nobre e cavalheiresco nos dias de hoje, tanto nos esportes quanto na vida cotidiana, é o que eu sinceramente espero. Salve, Arthur Bisguier!
Vamos a mais uma entrevista da Seção Bate & Rebate aqui no blog Batalha de Mentes, desta vez a de número 7! Como nosso(a)s leitores(a)s já sabem, o propósito desta seção, idealizada pelo nosso amigo e colaborador Joaquim Virgolino, é promover a interação com enxadristas de todo o Brasil e até do exterior, por meio de entrevistas rápidas, no formato "pingue-pongue", que são realizadas por Joaquim e postadas sempre aos sábados. Feita essa observação, temos a satisfação de anunciar o nome da nossa entrevistada de hoje: Virgínia Lagrange. Virgínia é sem dúvida uma das jogadoras mais ativas do país, pois tem participado, por anos, de numerosos torneios nacionais e internacionais. De acordo com a última listagem da FIDE (setembro/2020), ela detém atualmente 1753 pontos de rating na modalidade clássica, 1894 pontos no rápido e 1677 pontos no blitz. Sua última participação em torneios presenciais foi durante o Aberto do Brasil de Carnaval 2020, celebrado em São Paulo, entre os dias 22 e 25 de fevereiro deste ano. Nessa competição, Virgínia Lagrange obteve um empate contra outra veterana dos tabuleiros, a experiente e vitoriosa WMI Regina Ribeiro. Ela também possui alguns títulos expressivos em seu currículo, como por exemplo o título de campeã brasileira juvenil (1988), campeã pan-americana amadora (2016), conquistado na Argentina, e vice-campeã geral no torneio Montcada Open (2016), conquistado na Espanha. Agradecemos ao amigo Joaquim por possibilitar esta entrevista, bem como à nossa convidada Virgínia pela sua disponibilidade em participar da Seção Bate & Rebate. E agora, vamos à entrevista!
NOME: Virgínia Lagrange Moutinho dos Reis
IDADE: 52 anos
CIDADE NATAL: Rio de Janeiro-RJ
01 - Qual é a sua cor favorita? R.: Azul.
02 - Comida de que mais gosta? R.: Picanha.
03 - Bebida preferida? R.: Suco natural.
04 - Um filme inesquecível?R.: Grease.
05 - Qual o livro de xadrez mais interessante que você já leu?R.: Tem vários. Tabuleiro da Vida é um deles (do enxadrista e jornalista Herbert Carvalho).
06 - Uma música que marcou vida? R.: Comme d'habitude.
Obs.: Conheça a música escolhida pela entrevistada assistindo ao vídeo a seguir:
07. Qual o seu maior medo? R.: Lugar fechado e pequeno, sem ventilação.
08. Um sonho?R.: Me tornar GM! (risos).
09. Quais as três pessoas que você adoraria convidar para jantar? R.: Alekhine, Capablanca e minha mãe.
10. Uma partida ou lance inesquecível de alguma lenda do xadrez? Partida Levitsky x Marshall (1912).
11. Quem é o seu jogador de xadrez favorito?R.: Capablanca.
12. Seu maior defeito?R.: Gula (risos).
Campeã pan-americana amadora (2016)
13. Uma atriz ou ator?R.: Marlon Brando.
14. Estilo musical preferido? R.: Eclético.
15. Eu não tiro o chapéu para...R.: Stephen Hawking.
16. Qual ensinamento ou princípio do xadrez é útil na sua vida cotidiana?R.: Estratégia, como tomar decisões no dia-a-dia.
17. O que você salvaria da sua casa se ela estivesse pegando fogo? (Apenas duas coisas)R.: Dinheiro e joias.
18. O que você aprecia em uma pessoa?R.: Inteligência.
Virgínia após empatar com Mequinho em uma simultânea
19. Existe alguma coisa que você gostaria de aprender? R.: Nada em especial.
20. Seu hobby?R.: Nadar.
21. Um arrependimento? R.: Não ter me dedicado mais ao xadrez.
22. Quem é Deus para você? R.: Sou agnóstica.
23. Que animal você seria? R.: Puma.
24. Seu ídolo? R.: Vassily Ivanchuk.
25. Uma frase ou pensamento que você queira deixar para os leitores? R.: Depois da tempestade, vem o arco-íris.
26. Virgínia Lagrange por Virgínia Lagrange:R.: Boa pessoa.
Vice-campeã geral no Montcada Open - Espanha (2016)
E assim, amigo(a)s, finalizamos mais uma entrevista. Esperamos que tenham gostado, e que a trajetória da nossa convidada Virgínia Lagrange sirva de inspiração para todas as jogadoras que desejam progredir na Arte de Caíssa, e competir dentro e fora do Brasil, conhecendo novos lugares e novas culturas ao redor do mundo. Sábado que vem tem mais Seção Bate & Rebate, até lá!
Amigo(a)s, é chegado o momento de mostrar a solução do exercício que postamos há dois dias... vamos lá.
As brancas jogam e ganham
No diagrama acima, as negras têm uma dama por duas peças menores, o que lhes confere ampla vantagem material. Porém, a posição do rei preto, situado numa casa marginal do tabuleiro e cercado por seus próprios peões, o coloca numa situação muito desfavorável. As brancas exploram isto da seguinte maneira:
1. Bc7! De1+
Se 1. ... Dxf2, seguiria 2. Rh2 g4 (ou 2. ... De1 - qualquer outro movimento de dama também conduz ao mate - 3. g3+) 3. Bd8+ Df6 4. Bxf6 mate.
No dia 04 de dezembro de 2016, o Grande Mestre estadunidense (nascido no Uzbequistão) Timur Gareyev, à época com 29 anos de idade, bateu o recorde mundial de partidas simultâneas às cegas (sem ver o tabuleiro): ele disputou 48 partidas em 18 horas e meia, conquistando mais de 80% dos pontos disputados, uma proeza absolutamente extraordinária! Algum tempo depois, o famoso periodista espanhol Leontxo Garcia celebrava o feito de Gareyev em um artigo que foi publicado na página de esportes do jornal El país (para ler o artigo, clique aqui).
GM Timur Gareyev durante a sessão em que bateu o recorde mundial
Na posição do diagrama abaixo, as brancas têm uma grande desvantagem material, mas, como sabemos, no xadrez a posição das peças é mais importante do que a quantidade de material. Você é capaz de encontrar a continuação vencedora para as brancas? Na sexta-feira, traremos a resposta para este exercício.
O siteChess.com, no dia 08 deste mês de setembro, divulgou uma notícia informando sobre a retomada do Torneio de Candidatos 2020, que havia sido suspenso pela FIDE em razão da pandemia de Covid-19, e cujo vencedor irá desafiar o atual campeão do mundo pela coroa do xadrez mundial. Quando foi interrompida, após a sua 7ª rodada, a competição estava sendo liderada pelos GMs Maxime Vachier-Lagrave e Ian Nepomniachtchi, ambos com 4,5 pontos em 7,0 possíveis. Segundo a matéria, a previsão é de que o torneio seja reiniciado no dia 01 de novembro, em local ainda a ser definido. Essa notícia certamente deve ter animado a comunidade enxadrística internacional, que está torcendo para ver as 8 "feras" do tabuleiro novamente em ação. Para saber mais detalhes, basta acessar a matéria, clicando aqui.
Foi encerrado ontem (13/09) o torneio on-line "Champions Showdown Chess 9LX", na modalidade Xadrez 960, do qual falamos em uma publicação anterior (veja aqui). A atração principal da competição, sem dúvida, foi a presença do ex-campeão mundial Garry Kasparov, que vez por outra rompe o isolamento da sua aposentadoria como jogador para competir em alguns torneios extraoficiais. Foram 10 jogadores da elite internacional que se reuniram para jogar esse torneio, e todos se enfrentaram entre si. Após 9 rodadas, os GMs Magnus Carlsen e Hikaru Nakamura dividiram a 1ª colocação, ambos com 6,0 pontos ganhos. Em segundo lugar, vieram Levon Aronian e Fabiano Caruana, também empatados com 5,5 pontos. Kasparov terminou apenas em 8º lugar, com 3,5 pontos. Veja a classificação final no quadro abaixo.
Por falar em Kasparov, a atuação dele não foi das melhores, e ficou marcada por um grave errona sua partida contra Fabiano Caruana, o qual mostraremos no diagrama a seguir.
Na posição do diagrama, Kasparov, jogando de brancas, têm maiores chances de vitória, por causa do seu peão a mais. As negras, conduzidas por Caruana, acabaram de jogar Bc5, para promover a troca de bispos. Eis que neste momento Kasparov joga o horrível Dc2??, perdendo o seu bispo, que é imediatamente capturado com Bxd4+. Kasparov explicou essa aparente "capivarada" alegando que jogara o lance Dc2 como um premove, ou seja, um movimento que se faz no xadrez on-line, em resposta a um possível lance do adversário. "Nem mesmo pendurei uma peça, foi a máquina!", lamentou Kasparov. Ele lutou para se recuperar desse erro, mas certamente deve ter ficado com o psicológico abalado, e na sequência fez apenas 0,5 ponto nas últimas 4 rodadas, depois de ter começado o torneio muito bem. Na última rodada, ele tentou vencer um final de jogo com torre e bispo contra torre contra Vachier-Lagrave, mas o jogo terminou empatado, após 123 lances! Agora, só nos resta aguardar para sabermos quando será a próxima aparição do "Ogro de Baku" nos tabuleiros - sejam eles virtuais ou presenciais.