Informamos que logo mais, às 21:00 h, será disputada no Lichess a primeira partida do Desafio de Xadrez entre o editor deste blog, Luiz Fábio Jales, e o jovem talento da cidade de Marcação-PB, Danilo Figueiredo. Serão jogadas quatro partidas, no ritmo de 15 minutos mais 10 segundos de acréscimo. Todas elas serão apresentadas e comentadas aqui no blog, aguardem!
Blog destinado a reverenciar a memória dos grandes enxadristas do passado e a divulgar textos e notícias sobre xadrez, em especial sobre o xadrez paraibano.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
quinta-feira, 30 de abril de 2020
FECHANDO O MÊS COM POESIA!
Estamos no último dia do mês de abril, e nada melhor do que fechar o mês com um belo poema da amiga Maria do Céu, em mais uma homenagem ao blog Batalha de Mentes!
Céu é uma assídua leitora deste singelo blog, e de vez em quando nos surpreende com sua criatividade e habilidade com as palavras... desta vez não foi diferente, e para fecharmos abril com "chave de ouro", vamos desfrutar da composição poética intitulada Batalha e batalhas... obrigado pelo carinho de sempre, amiga Céu!
ARTIGO DE XADREZ #4
Nestes tempos de pandemia do coronavírus, em que os eventos esportivos foram cancelados ou adiados no mundo inteiro como medida preventiva para tentar frear a disseminação do vírus, o xadrez é um dos únicos esportes cuja prática permanece em atividade, devido à possibilidade de realização de torneios on-line. Neste cenário em que o número de partidas jogadas pela internet tem aumentado consideravelmente, existe uma grande preocupação dos administradores dos sites de xadrez em combater a trapaça, um velho problema do xadrez on-line, que ameaça a legitimidade da modalidade. Os jogadores trapaceiros utilizam os programas e aplicativos de xadrez para sugerir lances durante as partidas, desequilibrando a disputa a seu favor, de maneira fraudulenta. Com o auxílio desse recurso tecnológico, um simples "capivara" ou até mesmo um iniciante consegue derrotar um Grande Mestre sem muita dificuldade, o que seria simplesmente impossível numa partida presencial.
A fim de levar os leitores deste blog a refletirem sobre esse assunto polêmico, decidi compartilhar um interessante artigo de autoria de Daniel Mariani, intitulado "Vigiar e punir", que foi publicado no último dia 23 de abril, no site Xadrez do Brasil. O texto é muito bem escrito, e faz um apanhado histórico de como a trapaça no xadrez evoluiu ao longo do tempo, desde os autômatos que ocultavam jogadores em seu interior, a exemplo do "Turco", até os modernos aplicativos de xadrez para smartphones, citando casos de enxadristas que foram flagrados ou que ficaram sob suspeita de estarem trapaceando. O autor fala também sobre os cuidados que os organizadores de torneios on-line estão tomando para prevenir as fraudes, e termina mencionando as possíveis punições que a trapaça pode acarretar aos jogadores infratores. De minha parte, como jogador e organizador de torneios de xadrez on-line, quero aproveitar para expressar o meu repúdio a toda e qualquer forma de trapaça, e o meu compromisso com a ética no nosso amado esporte, buscando jogar o xadrez sempre de forma limpa e com respeito ao adversário. Para ler o artigo de Daniel Mariani clique aqui... Uma boa leitura a todos!
A fim de levar os leitores deste blog a refletirem sobre esse assunto polêmico, decidi compartilhar um interessante artigo de autoria de Daniel Mariani, intitulado "Vigiar e punir", que foi publicado no último dia 23 de abril, no site Xadrez do Brasil. O texto é muito bem escrito, e faz um apanhado histórico de como a trapaça no xadrez evoluiu ao longo do tempo, desde os autômatos que ocultavam jogadores em seu interior, a exemplo do "Turco", até os modernos aplicativos de xadrez para smartphones, citando casos de enxadristas que foram flagrados ou que ficaram sob suspeita de estarem trapaceando. O autor fala também sobre os cuidados que os organizadores de torneios on-line estão tomando para prevenir as fraudes, e termina mencionando as possíveis punições que a trapaça pode acarretar aos jogadores infratores. De minha parte, como jogador e organizador de torneios de xadrez on-line, quero aproveitar para expressar o meu repúdio a toda e qualquer forma de trapaça, e o meu compromisso com a ética no nosso amado esporte, buscando jogar o xadrez sempre de forma limpa e com respeito ao adversário. Para ler o artigo de Daniel Mariani clique aqui... Uma boa leitura a todos!
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| Com o aumento no número de torneios on-line, os casos de trapaça se tornaram mais frequentes |
quarta-feira, 29 de abril de 2020
O MAIS CULTO DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DE XADREZ
Amigo(a)s, hoje trago ao conhecimento de vocês algumas linhas acerca daquele que eu julgo ser o enxadrista mais culto dentre os que fazem parte do seleto grupo dos campeões mundiais de xadrez. Vocês fazem ideia de quem eu estou falando? Acertou quem pensou em Emanuel Lasker! De fato, Lasker era detentor de um formidável intelecto, e se distinguiu em outras áreas além do xadrez. Para começar, ele pertencia ao povo alemão, um dos mais cultos do planeta. Em seu país natal, Lasker teve a oportunidade de estudar nas universidades de Berlim, Goettingen, Heidelberg e Erlangen, e foi nessa última que ele obteve o grau de doutor em matemática, no ano de 1902, sob a orientação do eminente matemático David Hilbert, um dos maiores de todos os tempos. A tese de Lasker foi intitulada Über Reihen auf der Convergenzgrenze ("Série de limites de convergência"), por meio da qual ele expôs seu teorema sobre "a Teoria de Espaços Vetoriais", que mais tarde atrairia a atenção físico Albert Einstein. Einstein foi amigo de Lasker, tendo os dois inclusive morado juntos durante um certo tempo, ao compartilharem o mesmo apartamento. A respeito do 2º Campeão Mundial de xadrez, o pai da Teoria da Relatividade declarou: "Emanuel Lasker foi indubitavelmente uma das pessoas mais interessantes que conheci em toda a minha vida”. Vindo de um gênio como Einstein, esse é um elogio e tanto, concordam?
A filosofia foi outro tema que despertou o interesse de Lasker, disciplina na qual ele também obteve o grau de doutor, chegando a escrever dois livros de teor filosófico: Das Begreifen der Welt ("Compreendendo o Mundo"; 1913) e Die Philosophie des Unvollendbar ("A Filosofia do Inatingível"; 1918). Ele também foi autor de livros sobre xadrez, alguns dos quais se tornaram clássicos da literatura enxadrística, a exemplo das obras Common Sense in Chess ("O senso comum no xadrez") e Manual of Chess ("Manual de Xadrez"). Lamentavelmente, esse enxadrista brilhante e de personalidade única passou por muitas dificuldades nos seus últimos anos, peregrinando pelo mundo em busca de melhores condições de vida. Por ter origem judaica, ele teve que fugir da Alemanha governada por Hitler em 1935, e de lá se refugiou na União Soviética, onde passou cerca de 1 ano e meio, até fugir para os Estados Unidos em 1937, prestes a completar 70 anos de idade. Foi lá que ele faleceu, no dia 11 de janeiro de 1941. No entanto, seu imenso legado no xadrez permanece vivo até hoje, assim como suas contribuições no campo da matemática, que também são lembradas.
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| O GM Emanuel Lasker (1868-1941) foi doutor em matemática e filosofia |
segunda-feira, 27 de abril de 2020
DESAFIO DE XADREZ - FÁBIO JALES vs. DANILO FIGUEIREDO
Na última publicação deste blog, falamos a respeito da existência de um grupo de enxadristas em Mamanguape-PB, que estão se
reunindo para a prática do jogo, com vistas à fundação de um clube na
referida cidade. Além desses jovens jogadores, mencionamos também a
existência de um promissor enxadrista na vizinha cidade de Marcação-PB, chamado Danilo Figueiredo, que vem evoluindo rapidamente, a ponto de ter conseguido vitórias recentes em torneios on-line contra jogadores fortes e bem mais experientes do que ele. E será justamente com esse promissor enxadrista que pretendo inaugurar, aqui no blog, o quadro "Desafio de xadrez", por meio do qual irei desafiar, a cada 1 ou 2 meses, um jogador de força mediana, para disputarmos um match de quatro partidas on-line, com tempo mínimo de 15 minutos de reflexão. O nosso objetivo, além de promover embates entre os enxadristas paraibanos, é incentivar que os jogadores publiquem suas análises das partidas, comentando-as, para assim melhorarem o seu nível de entendimento do jogo. A ideia é que, após cada jogo, o resultado e os comentários da partida sejam publicados aqui no blog Batalha de Mentes, e, ao ter acesso a essas análises, a comunidade enxadrística paraibana poderá conhecer um pouco melhor o estilo e os pontos fracos e fortes dos jogadores envolvidos nas disputas!
Para diversificar os confrontos, iremos permitir que qualquer jogador de nível intermediário ou avançado possa participar do quadro "Desafio de xadrez". Para isso, basta que um enxadrista desafie um adversário (mais ou menos do seu nível) e que este aceite o desafio. Feito isso, os dois deverão escolher o tempo de reflexão (mínimo de 15 e máximo de 30 minutos), a plataforma onde irão jogar (dentre as tantas que existem), e, por fim, deverão se comprometer a não utilizarem programas de xadrez durante a realização das partidas. Essa será uma forma interessante de movimentarmos o xadrez local durante esse tedioso período de quarentena. Não é preciso dizer que, quanto mais elevado for o nível dos oponentes, maior interesse irá despertar a disputa... já pensaram em um desafio entre os dois mais fortes enxadristas da Paraíba, MF Francisco Cavalcanti e MF Luismar Brito? Ou entre o MN Luiz Antonio Tomaz e o MN Douglas Torres? Seria fantástico, meus amigos! No meu caso, já lancei o desafio ao jovem Danilo, que o aceitou de imediato. Iremos jogar nossas partidas no site Lichess, com tempo de 15' + 10", e o primeiro da série de quatro jogos está programado para acontecer no próximo dia 1º de maio. A julgar pela rápida evolução e pelos bons resultados recentes do meu adversário, já posso considerá-lo o favorito para vencer o confronto, mas prometo me esforçar ao máximo a fim de dificultar as coisas para ele. Espero que vocês tenham gostado da ideia e que possam acompanhar os confrontos que serão jogados no futuro. Aqueles que tiverem interesse em participar do quadro "Desafio de xadrez", podem entrar em contato comigo, por meio do whatsapp: Luiz Fábio Jales - (83) 98850-2764.
Em breve voltaremos com outras informações sobre esse primeiro desafio, pessoal. Até mais!
Para diversificar os confrontos, iremos permitir que qualquer jogador de nível intermediário ou avançado possa participar do quadro "Desafio de xadrez". Para isso, basta que um enxadrista desafie um adversário (mais ou menos do seu nível) e que este aceite o desafio. Feito isso, os dois deverão escolher o tempo de reflexão (mínimo de 15 e máximo de 30 minutos), a plataforma onde irão jogar (dentre as tantas que existem), e, por fim, deverão se comprometer a não utilizarem programas de xadrez durante a realização das partidas. Essa será uma forma interessante de movimentarmos o xadrez local durante esse tedioso período de quarentena. Não é preciso dizer que, quanto mais elevado for o nível dos oponentes, maior interesse irá despertar a disputa... já pensaram em um desafio entre os dois mais fortes enxadristas da Paraíba, MF Francisco Cavalcanti e MF Luismar Brito? Ou entre o MN Luiz Antonio Tomaz e o MN Douglas Torres? Seria fantástico, meus amigos! No meu caso, já lancei o desafio ao jovem Danilo, que o aceitou de imediato. Iremos jogar nossas partidas no site Lichess, com tempo de 15' + 10", e o primeiro da série de quatro jogos está programado para acontecer no próximo dia 1º de maio. A julgar pela rápida evolução e pelos bons resultados recentes do meu adversário, já posso considerá-lo o favorito para vencer o confronto, mas prometo me esforçar ao máximo a fim de dificultar as coisas para ele. Espero que vocês tenham gostado da ideia e que possam acompanhar os confrontos que serão jogados no futuro. Aqueles que tiverem interesse em participar do quadro "Desafio de xadrez", podem entrar em contato comigo, por meio do whatsapp: Luiz Fábio Jales - (83) 98850-2764.
Em breve voltaremos com outras informações sobre esse primeiro desafio, pessoal. Até mais!
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| Desafio de xadrez n.º 1 - Fábio Jales vs. Danilo Figueiredo |
domingo, 26 de abril de 2020
O XADREZ VIVE EM MAMANGUAPE!
Mamanguape é um município localizado na microrregião do Litoral Norte da Paraíba, com uma população de cerca de 45 mil habitantes, figurando atualmente como o 11º município mais populoso do estado. Sua importância histórica é inegável, pois foi nas terras que dariam origem ao território mamanguapense que foram travadas muitas batalhas pela conquista da Paraíba, entre o colonizador português e a aguerrida nação dos gentios pitiguaras, no longínquo século XVI. Em meados do século XIX, Mamanguape era uma potência econômica regional, com um próspero comércio, disputando com a capital paraibana o posto de cidade mais rica e importante da província da Parahyba do Norte. Nessa época áurea, nasceram ou viveram em Mamanguape homens ilustres, de grande potencial intelectual e prestígio em suas áreas de atuação, a exemplo do escritor e jornalista Carlos Dias Fernandes, do Padre Azevedo, inventor da máquina taquigráfica, de Flávio Clementino da Silva Freire, o Barão de Mamanguape, que foi Presidente da província e senador do Império, do político e magistrado João Pereira de Castro Pinto, do político e escritor Álvaro de Carvalho, entre tantos outros. Também no século XIX, no ano de 1859, Mamanguape recebeu o Imperador Dom Pedro II e sua comitiva, que visitaram a cidade em missão oficial, após terem passado por outras localidades da província. A casa onde o Imperador ficou hospedado foi transformada em museu, e hoje abriga o Paço Municipal. Conservando ainda muitos prédios e casarões antigos, a cidade foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP), no ano de 1979.
Apesar de ser uma terra rica em história e tradição cultural, até bem pouco tempo atrás minha cidade não contava com um grupo coeso de enxadristas, que estivessem dispostos a se reunir periodicamente para estudar e praticar o jogo-arte-ciência. Como filho de Mamanguape e um apaixonado pela Arte de Caíssa, fiz algumas tentativas de reunir enxadristas a fim de fundar um clube de xadrez na cidade, mas essas tentativas foram infrutíferas, devido ao pouco interesse demonstrado pelos meus conterrâneos. Até que, para minha grande surpresa, em janeiro deste ano tomei conhecimento da existência de um grupo de jovens que estava se reunindo para jogar toda terça-feira à noite, na praça central da cidade. Resolvi ir ver essa maravilha com meus próprios olhos, acompanhado do meu velho parceiro de jogo Luciano Santos, e realmente encontrei na praça seis jovens, debruçados sobre os tabuleiros, concentrados nos movimentos das peças, jogando com seriedade e entusiasmo! Nesse momento senti uma profunda alegria, pois finalmente, depois de tantos anos, o sonho de fundar um clube de xadrez em Mamanguape parecia estar próximo de se tornar realidade!
Logo começamos a interagir e, para manter contato com os garotos (acho que posso chamá-los assim, já que ultrapassei a casa dos 40 anos), criei um grupo no whatsapp, através do qual passamos a nos comunicar. Também tive a oportunidade de participar de alguns encontros nas terças à noite, isso antes da pandemia. A equipe é formada por jovens entre 13 e 22 anos de idade, que conheceram o xadrez por meio do pai ou de colegas de escola. Os meninos jogam relativamente bem, e demonstram interesse em aprender cada vez mais, que é um fator fundamental no progresso em qualquer área do conhecimento, não só no xadrez. Um deles, Bruno Vasconcelos, de 20 anos, chegou a vencer alguns torneios quando criança. Além desses jogadores mamanguapenses, o grupo conta também com a presença de um jovem da cidade de Marcação, a 20 km de Mamanguape, chamado Danilo Figueiredo, de 23 anos. Danilo joga xadrez há menos de 4 anos, mas tem apresentado uma rápida evolução nos últimos meses, inclusive já conseguiu derrotar, em torneios on-line, fortes nomes do xadrez paraibano, a exemplo de Elton John, de Guarabira, e Fagner Lima, de Baraúna. E assim, meus amigos, estou esperançoso de que essa nova geração de jogadores possa contribuir significativamente para o desenvolvimento do xadrez, não só em Mamanguape, como em toda a região circunvizinha. Torço para que eles mantenham o entusiasmo e o interesse no estudo do jogo, a fim de se aprimorarem cada vez mais, e espero que em breve, assim que os torneios presenciais forem retomados, possamos formar uma equipe competitiva, que irá participar desses torneios, representando a cidade de Mamanguape, honrando a tradição cultural desse lindo recanto da nossa querida Paraíba... Viva o xadrez mamanguapense! Foco nos treinos, garotada! Vocês tem futuro!!
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| Equipe de enxadristas mamanguapenses: em pé, da esq. para dir., Winícius, William, Rian, Rionaldo e Andrey; agachados, Jales e Bruno. |
sexta-feira, 24 de abril de 2020
SOLUÇÃO DO EXERCÍCIO #4
Amigo(a)s, é chegado o momento de apresentarmos a solução do exercício de xadrez n.º 4, que se refere à posição mostrada no diagrama abaixo:
Com base na posição do diagrama, o texto do exercício pergunta: cabendo o lance às negras, elas ganham, perdem ou empatam? Justifique a resposta.
Apenas os amigos Maria do Céu e Joaquim Virgolino deixaram seus palpites nos comentários, e, se eu não entendi errado, ambos opinaram que as pretas apenas conseguem empatar nessa posição. Ao analisar rapidamente a posição, eu também não consegui ver como as negras poderiam forçar a vitória, devido à presença dos fortes peões passados e unidos na 6ª fileira. Eu acreditava que inevitavelmente as negras teriam que trocar a torre pelos dois peões, e o jogo acabaria empatado. Mas a realidade é bem diferente, e as negras podem sim forçar a vitória na posição do diagrama! Peguem seus tabuleiros e vamos juntos estudar a solução:
A melhor jogada é 1. ... Ta1!
É necessário perseguir o rei e os peões a distância.
Não seria válido 1. ...Ta5+ 2. Re4 Rf8 3. Rd4 Rg7?? 4. d7 Ta8 5. e7, e as pretas perderiam.
2. Rd5
O avanço dos peões é um plano perdedor para as brancas, visto que o rei negro bloquearia qualquer intenção de coroação.
2. ... Te1! 3. Rc6 Rd8
Não seria válido 3. ...Txe6?? 4. Rc7 Rf7 5. d7 Te7, empatando.
4. Rd5 Te2!
É necessário perder um tempo para deixar as brancas em zugzwang.
5. e7+
Também não serviria 5. Rc5 Txe6 6. Rc6 Rc8 7. Rd5 Rd7, ganhando um peão e a partida. Ou 5. d7 Re7, ganhando também.
5. ... Rd7, com vitória das pretas.
E assim as negras, por meio de lances precisos, obtêm uma vitória relativamente simples, o que vem a comprovar o quanto ainda estou distante da maestria no entendimento dos finais de partida... até o próximo exercício!
A COROAÇÃO DE KARPOV
No dia 24 de abril de 1975, há exatos 45 anos, na cidade de Moscou, foi celebrada a cerimônia de coroação de Anatoly Karpov. Em um episódio único na história da disputa dos campeonatos mundiais, Karpov conquistou a coroa sem jogar nenhuma partida, já que o seu adversário, Bobby Fischer, recusou-se a defender o título máximo do xadrez mundial por discordar das condições de disputa. Diante da recusa de Fischer em jogar, o então Presidente da FIDE, Max Euwe, proclamou Karpov o 12º Campeão Mundial da história, cingindo-o com a tradicional coroa de louros que simboliza a vitória.
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| Karpov sendo coroado por Euwe o novo Campeão Mundial |
Até hoje não se sabe ao certo quais os motivos que levaram Fischer a desistir de jogar o match contra Karpov. Muitos autores e analistas de xadrez levantaram hipóteses sobre o assunto, tentando encontrar explicações para justificar o fato. Um deles, Garry Kasparov, apresenta algumas interessantes reflexões, no quinto volume da sua magnífica obra Meus Grandes Predecessores:
"Qual terá sido o problema chave de Fischer? Segundo meu ponto de vista, o que aconteceu foi que, trabalhando sempre sozinho, acabou pura e simplesmente não conseguindo se adaptar às novas exigências de preparação, ditadas pela revolução de aberturas. A complexidade dos problemas que surgiam, exigia outros métodos de trabalho, outra maneira de pensar e - o que era de suma importância - a presença de adversários. [...]
É bem provável que Fischer, com seu apurado faro do xadrez, [...] tenha percebido claramente que uma nova era tinha começado, a qual exigia o abandono de seu método costumeiro de trabalho. Ele podia ver com os próprios olhos os frutos da revolução que ele mesmo tinha gerado, e reconhecia muito bem que não era mais possível preparar-se sozinho. [...] Ele compreendeu bem que já tinham ocorrido grandes mudanças qualitativas; entendeu que tinha deixado um tipo de xadrez e partiria para outro, e que para entrar na nova realidade exigia-se um incrível esforço supremo.
Ele sabia que teria que jogar com o líder de uma geração que tinha crescido na onda da revolução de aberturas e que tinha introduzido essas mudanças qualitativas no xadrez; sabia que iria encontrar pela frente um competidor de sangue frio, que não só assimilara a lição de seus matches com Polugaevsky, Spassky e Kortchnoi, mas que, além de usar as análises dos importantes Grandes Mestres soviéticos, devia mostrar também sua extraordinária habilidade de absorver instantaneamente, digerir e pôr em prática com sucesso as novas ideias estratégicas.
Observando o ciclo de qualificação, ele percebeu que Karpov se tornaria decididamente forte na primeira parte da maratona. E assim Bobby, dada sua conhecida instabilidade psicológica, muito provavelmente começou a ter muito medo de um fracasso inicial. No entanto, estes medos também estavam em grande parte na qualidade da preparação da abertura. Fischer sentia que, numa disputa com Karpov, sua preparação podia não atender às demandas do momento. Vítima de numerosos complexos, acabou num círculo vicioso; quando alguém teme que não vai conseguir se preparar como deve, o medo aumenta ainda mais...
Em resumo, Fischer não tinha mesmo condições de enfrentar a nova situação, inclusive porque tinha parado de jogar durante muito tempo. Na era de Botvinnik, era possível ficar sem jogar por três anos e mesmo assim manter o título de Campeão Mundial. Mas agora, na época da revolução de aberturas, três anos valiam uma eternidade."
Como podemos perceber das passagens acima transcritas, Kasparov recorre à velha teoria de que Fischer se recusou a jogar contra Karpov por medo de ser derrotado, justificativa que, à primeira vista, é realmente a que mais faz sentido. No entanto, acredito que ninguém pode ter certeza acerca dos reais motivos da abdicação de Fischer, e tudo o que for escrito a esse respeito não passa de mera especulação. O fato é que, depois de se tornar Campeão Mundial sem jogar um match, Karpov se lançou em uma maratona de torneios, para provar a todos e a ele mesmo que não havia nenhum jogador no mundo à sua altura. O resultado é que Karpov se manteve uma década inteira como o indiscutível n.º 1 do ranking mundial (1975-1985), e mais uma década entre os membros da elite internacional, ficando conhecido como o enxadrista que ganhou o maior número de torneios na história do xadrez!
quinta-feira, 23 de abril de 2020
VOCÊ SABIA?
Você sabe o que a torre de xadrez tem em comum com as bigas, aqueles antigos carros de guerra puxados por cavalos? A explicação é simples: a palavra "torre" deriva da antiga palavra árabe rukh, que quer dizer "biga". No antigo chaturanga, o ancestral do xadrez moderno, a peça representada pela biga simbolizava a divisão do exército indiano que lutava em carros de guerra. Acontece que, quando a versão árabe do xadrez, o shatranj, chegou à Europa, por volta de 700 d.C., as bigas não eram mais usadas. Assim, essa peça se transformou em uma torre de castelo, que refletia com mais precisão a realidade social e as guerras da Idade Média.
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| A torre do xadrez moderno se originou das antigas bigas, carros de guerra puxados por cavalos |
quarta-feira, 22 de abril de 2020
O BARÃO E O ALDEÃO
Conta-se a história de um vaidoso barão alemão que incomodava os aldeãos de sua localidade, obrigando-os a jogar com ele e gabando-se de ser o melhor jogador do país. Um dia chegou à aldeia um jovem estudante que tivera ocasião de praticar xadrez com fortes jogadores em Viena. Ao inteirar-se das humilhantes derrotas que o barão infligia aos seus antigos camaradas da aldeia, acertou com ele uma partida a fim de vingá-los. Chegado o dia da partida, toda a população se concentrou para assistir ao jogo. Antes de começar, o orgulhoso barão ofereceu uma peça de vantagem ao seu oponente, o que foi rejeitado.
(Extraído do livro O xadrez dos Grandes Mestres: 400 conselhos para melhorar seu nível enxadrístico. MANZANO, A. L.; GONZÁLEZ, J.M. Porto Alegre: Artmed, 2002).
terça-feira, 21 de abril de 2020
EXERCÍCIO DE XADREZ #4
No exercício de hoje, mostramos a posição de um final de torre contra dois peões unidos na 6ª horizontal. O lance no diagrama abaixo cabe às negras: elas ganham, perdem ou empatam? Justifique sua resposta!
domingo, 19 de abril de 2020
RESULTADO DO TORNEIO DE INAUGURAÇÃO DO CLUBE XADREZ PARAIBANO
Conforme divulgado anteriormente aqui no blog Batalha de Mentes, foi realizado na noite de ontem (18/04) o torneio de inauguração do clube de xadrez on-line Xadrez Paraibano. O torneio foi disputado na plataforma Chess.com, e teve 18 participantes. Entre os jogadores encontravam-se enxadristas de diversos quadrantes da Paraíba e também de outros estados, a exemplo do adolescente potiguar Enzo Magalhães. Foram jogadas 5 rodadas pelo sistema suíço, com tempo de reflexão de 5 minutos mais 3 segundos de acréscimo por lance. O campeão do torneio foi o forte jogador campinense Rodrigo Wanderley, que teve uma excelente atuação, com 100% de aproveitamento (5 vitórias). Lembramos que Wanderley também foi o campeão da Copa Batalha de Mentes de xadrez blitz, torneio on-line realizado em julho de 2019, em comemoração aos 6 meses de criação deste blog (https://batalhadementes.blogspot.com/2019/07/copa-batalha-de-mentes-rodrigo.html).
Completando o pódio da competição vieram os enxadristas Brenno Bernardo, da cidade de Patos-PB, vice-campeão, e Enzo Magalhães, 3º colocado, ambos com 4,0/5,0. Após o torneio, os administradores do clube sortearam duas assinaturas gratuitas do site Chess.com, e o autor destas linhas foi contemplado com uma delas. Parabenizamos os administradores Lucas Nunes e Fagner Lima para iniciativa de promoverem esse torneio de inauguração, e esperamos que outros torneios dessa natureza sejam realizados em breve, a fim de movimentar o xadrez estadual nesses tempos de quarentena. Aproveitamos também para desejar sucesso ao clube recém-criado, e ficamos felizes com a aceitação que tal agremiação tem recebido por parte da comunidade enxadrística paraibana, uma vez que, em apenas 48 horas, o número de membros do clube passou de 25 para 47. Parabéns a todos os envolvidos e até o próximo torneio!
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| Rodrigo Wanderley, o grande campeão |
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