terça-feira, 22 de dezembro de 2020

PENSAMENTO DO DIA

 

"A batalha pela verdade suprema nunca será vencida. E é por isso que o xadrez é tão fascinante" (Hans Kmoch - Enxadrista, árbitro e escritor de xadrez austríaco). 

 

Hans Kmoch (1894-1973)
 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

OS AUTÔMATOS DO XADREZ

 

A ideia de se criar uma máquina de jogar xadrez não é algo recente, surgida na nossa sociedade moderna computadorizada, mas sim uma ideia bem mais antiga. O primeiro autômato (máquina com aparência humana, capaz de executar movimentos) de xadrez foi inventado em 1769 por um engenheiro húngaro, o barão Wolfgang von Kempelen, e foi batizado de "O Turco". "O Turco" parecia-se com um robô, e era operado por meio de um conjunto de dispositivos mecânicos localizados dentro de um compartimento de madeira, abaixo de uma mesa com um tabuleiro de xadrez, como pode ser visto na imagem abaixo.

 

Réplica do autômato "O Turco"

A máquina que jogava xadrez foi exibida ao público pela primeira vez em 1770, na cidade de Viena, e logo atraiu o interesse de curiosos, que pagavam para vê-la em ação, transformando-se rapidamente em um êxito financeiro para o seu criador. As pessoas do século XVIII ficaram maravilhadas com o funcionamento do autômato, mas na verdade tudo não passava de um truque: dentro da máquina havia espaço suficiente para ocultar um homem de baixa estatura, que era o responsável por operá-la, controlando os movimentos das peças por meio de potentes imãs, conforme mostrado nesta segunda imagem. 

 

Imagem mostrando o operador escondido dentro da máquina

 

Durante vários anos, "O Turco" foi exibido com sucesso por toda a Europa, até que em 1826 um novo proprietário, Johann Mälzel, a levou aos Estados Unidos, onde ele terminou em um museu na cidade de Filadélfia, e acabou sendo destruído por um incêndio em 1854. No site da Wikipédia, encontramos a seguinte informação sobre "O Turco": "Com um operador habilidoso, venceu a maioria dos jogos que disputou durante suas demonstrações pela Europa e América por quase 84 anos, incluindo desafiantes famosos como Napoleão Bonaparte e Benjamin Franklin." O interesse despertado por "O Turco" inspirou a criação de vários outros autômatos de xadrez durante o século XIX, a exemplo do "Mephisto", inventado em 1876, o qual teria sido supostamente operado pelo forte mestre Isidor Gunsberg, e o "Ajeeb", que de 1898 a 1904 foi operado por ninguém menos que Harry Nelson Pillsbury, um dos melhores enxadristas de todos os tempos, que naturalmente tornou as "atuações" do autômato bastante espetaculares. Assim como "O Turco", "Ajeeb" também foi destruído pelo fogo, em Nova Iorque, no dia 15 de março de 1929. 

O vídeo a seguir é o trecho de um documentário e fala a respeito de "O Turco", vale a pena assistir! 

 


sábado, 19 de dezembro de 2020

SEÇÃO BATE & REBATE #20


Amigo(a)s, aqui estamos para apresentar a vocês mais uma entrevista da Seção Bate & Rebate, a de número 20! Esta seção foi idealizada pelo grande entusiasta do xadrez Joaquim Virgolino, e tem o objetivo de promover a interação com enxadristas de todo o Brasil e até do exterior, por meio de entrevistas rápidas, no formato "pingue-pongue", que são publicadas sempre aos sábados. A primeira entrevista foi publicada no dia 08 de agosto, e contou com a ilustre participação da WFM Ramyres Coelho, uma das melhores enxadristas do país. Ao longo dos últimos 19 sábados, desfilaram pela Seção Bate & Rebate grandes nomes do xadrez nacional e estadual, e até um Grande Mestre Internacional (GM Axel Bachmann), cujas presenças abrilhantaram nosso blog. Ao mesmo tempo, também abrimos espaço para jogadores de menor força técnica, mas igualmente apaixonados pela prática do jogo-arte-ciência. Para minha alegria, as publicações da seção têm alcançado uma boa quantidade de visualizações, o que mostra que elas vêm agradando ao nosso público leitor. Agora, nesta publicação de número 20, traremos a entrevista do editor do blog Batalha de Mentes, este humilde capivara que vos escreve! A ideia de conceder essa entrevista partiu de Joaquim Virgolino, e ao ouvir sua proposta eu logo aceitei e resolvi "entrar na brincadeira". Vamos então a um breve resumo da trajetória enxadrística de Luiz Fábio Alves Jales, o entrevistado de hoje:

"O início da minha trajetória no xadrez remonta ao ano de 1992, quando eu, à época com 14 anos, fui apresentado ao jogo por amigos do colégio. Assim que bati os olhos no tabuleiro de xadrez, de imediato me senti fascinado: foi amor à primeira vista, como costumo dizer... rsrs. Dos 14 até os 18 anos, eu não possuía nenhum conhecimento teórico, só sabia mover as peças. Isso mudou em 1996, quando comecei a estudar na Escola Técnica Federal da Paraíba (hoje IFPB), e me deparei pela primeira vez com um livro de xadrez, na biblioteca da escola... tirei uma cópia do livro e comecei a aprender as noções elementares da teoria enxadrística. Naquele mesmo ano, adquiri um exemplar do clássico 'Xadrez Básico', de D’Agostini, e intensifiquei a rotina de estudos. Durante a minha juventude, participei de alguns torneios pequenos, na Escola Técnica e também na UFPB, instituição que frequentei como aluno entre 1999 e 2002. No período entre 2003 e 2013, parei de participar de competições e passei a focar mais nos estudos e no trabalho. Nesse período eu casei, terminei um curso de graduação e dois cursos de pós-graduação e fui aprovado em dois concursos públicos federais, mas, apesar de dedicar menos tempo ao xadrez nessa fase, nunca parei de jogar e nem de estudar a teoria, disputando partidas amistosas presenciais e pela internet, e comprando livros sempre que podia. Em 2013, após 10 anos afastado das competições, voltei a tomar parte em torneios, desta vez participando dos primeiros torneios FIDE, a exemplo do Campeonato Paraibano de xadrez daquele ano. A partir de 2015, comecei a vencer alguns torneios de menor categoria em João Pessoa, mas a minha maior conquista competitiva, sem dúvida, foi o 5º lugar no Campeonato Paraibano de 2014, à frente de nomes de peso do xadrez estadual, como Francisco Dantas (campeão paraibano do ano anterior), Doriedson Lemos, Marcos Valério e Renato Oliveira. Nos últimos três anos venho competindo com menor frequência em torneios presenciais, e desde janeiro de 2019 venho mantendo em atividade o blog de xadrez Batalha de Mentes, que era um projeto antigo, finalmente concretizado. Ainda tenho alguns outros projetos e metas relacionados ao xadrez que tentarei concretizar no futuro, mas não sei se terei êxito, devido aos compromissos profissionais e familiares. Um deles é o de entrar para a lista dos 10 melhores enxadristas da Paraíba, outro é o de ensinar xadrez para crianças carentes, e um terceiro é fundar um clube de xadrez na minha cidade, Mamanguape-PB. Se conseguirei atingir esses objetivos, somente o tempo dirá; porém, de uma coisa tenho certeza: o xadrez estará presente na minha vida até o meu suspiro!"

Bem, feitas essas considerações, agora passemos à entrevista, realizada pelo amigo e colaborador Joaquim Virgolino, a quem agradecemos pela exitosa parceria.

 

NOME: Luiz Fábio Alves Jales

IDADE: 42 anos

CIDADE NATAL: Mamanguape-PB

PROFISSÃO: Servidor público

 

01 - Qual é a sua cor favorita? R.: Azul celeste.

02 - Comida favorita? R.: Chocolate.

03 - Bebida preferida? R.: Água gelada.

04 - Um filme inesquecível? R.: O resgate do soldado Ryan (1998).

05 - Qual foi o livro de xadrez mais interessante que você já leu? R.: Meus Grandes Predecessores, de Kasparov.

06 - Uma música que marcou a sua vida? R.: Billie Jean - Michael Jackson.

Obs.: Conheça a música escolhida pelo entrevistado assistindo ao vídeo a seguir: 

 



Analisando uma partida do match Botvinnik vs. Tal, em casa (2010)

 07 - Qual o seu maior medo? R.: Não poder acompanhar o crescimento e a educação da minha filha.

08 - Um sonho? R.: Viver em um mundo sem crimes, sem miséria e sem violência.

09 - Quais as três pessoas que você adoraria convidar para jantar? Divaldo Franco (médium e conferencista espírita), Kasparov e Judit Polgar.

10 - Uma partida ou lance inesquecível de alguma lenda do xadrez? R.: Destacaria a partida Levitsky vs. Marshall (1912), por causa do lance 23. ...Dg3!!, na minha opinião o mais brilhante da história do xadrez.

11. Quem é o seu jogador de xadrez favorito? R.: Kasparov.

12. Seu maior defeito? R.: Baixa autoestima.


Disputando uma partida no Torneio de Alagoa Grande (2013)

 

14. Estilo musical preferido? R.: Eclético.

15. Eu não tiro o chapéu para... R.: Esquerdistas/socialistas/comunistas.

16. Qual ensinamento ou princípio do xadrez é útil na sua vida cotidiana? R.: Ter paciência e não desanimar diante das derrotas.

17. O que você salvaria da sua casa se ela estivesse pegando fogo? (Apenas duas coisas) R.: Meu computador e meus livros.

18. O que você aprecia em uma pessoa? R.: Seus valores morais.

19. Existe alguma coisa que você gostaria de aprender? R.: Muitas! Hipnose é uma delas.

 

Recebendo o troféu de campeão do Torneio Primavera - Colégio Top (2016)

20. Seu passatempo favorito (além do xadrez)? R.: Leitura.

21. Que animal você seria? R.: Gostaria de ser uma águia, para cruzar os céus a grandes alturas!

22. Brasil? R.: Um país com imenso potencial de crescimento, mas altamente prejudicado pela corrupção generalizada.

23. Qual seria sua viagem dos sonhos? R.: Um cruzeiro para as ilhas do Caribe.

24. Uma mensagem que você deixaria para os leitores do blog: R.: Procurem cultivar bons valores e transmiti-los aos seus filhos, para que tenhamos um mundo melhor no futuro. Como dizia o filósofo e matemático grego Pitágoras: "Educai as crianças e não será necessário castigar os homens".

25. Jales por Jales: R.: Um espírito imortal em contínua evolução, ao longo de sucessivas existências. 


Jogando contra o MN Márcio Jordão, no X Memorial Bobby Fischer (2019)

E assim amigo(a)s, finalizamos mais uma entrevista, desta vez com o editor deste blog. Espero que tenham gostado de conhecer um pouco melhor a história do meu envolvimento com o xadrez, a qual, se depender de mim, ainda está bem longe de terminar. Nossa próxima entrevista terá a participação do idealizador da Seção Bate & Rebate, Joaquim Virgolino, de Esperança-PB. Até sábado que vem, se o Criador permitir!

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

2020, UM BOM ANO PARA O XADREZ

 

Se por um lado 2020 foi um ano atípico e bastante complicado para a saúde pública, para a economia e para as relações sociais, por outro lado foi um ano excelente para o desenvolvimento do xadrez, devido a dois fatos principais: o isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, que paralisou o mundo dos esportes, fazendo assim com que mais pessoas voltassem sua atenção para o xadrez on-line, e a exibição da minissérie da Netflix The Queen's Gambit (O Gambito da Rainha), que fez um enorme sucesso e também provocou o aumento do interesse pelo jogo, conforme nos mostram os dados contidos na imagem a seguir.   

 


Espero sinceramente que essa "onda" de popularização do xadrez não seja algo passageiro, e que todos nós, enxadristas, possamos tirar o melhor proveito possível do momento atual, fazendo cada um a nossa parte a fim de divulgar ainda mais a fascinante Arte de Caíssa!  Sem dúvida o xadrez já é o esporte mais praticado do mundo, mas ainda precisa de divulgação, patrocínio e sobretudo de organização! Avante!!

 

NÃO ACEITO EMPATE!

 

A posição do diagrama a seguir ocorreu em Nova Iorque, no ano de 1888. 

 


A partida e o diálogo entre os adversários continuou da seguinte forma:

O jogador das brancas:

- Ofereço empate.

O jogador das negras:

- Sinto muito, mas a partida está ganha para mim.

1. ... h5 2. Rf3 

O jogador das brancas:

- Mas você não sabe que os finais com bispos de cor diferente não se podem ganhar?

2. ... Rg5 

O jogador das negras: 

- Se é empate, logo veremos no final da partida.

3. Re2

As brancas:

- Renovo minha oferta de empate, você não vê que é impossível ganhar? 

3. ... Rh4

As pretas: 

- Por favor, não me moleste mais com sua oferta de empate. 

4. Rf3

- Empate?

4. ... Rh3

- Mas você não percebe que só tem um bispo e eu não posso perder?

5. Re2 h4??

 


 

O jogador das negras percebe, de repente, seu erro e oferece a mão ao adversário, dizendo:

- Bem, agora sim, creio que é empate.

6. Rf3

- Vamos jogar mais um par de jogadas. Agora eu não quero empate.

6. ... Bg1 7. Bg2 mate!


Que forma desastrada de conduzir um final, hein amigo(a)s? Curiosamente, ao colocar essa posição para o Fritz 13 analisar, constatei que o programa aponta vantagem decisiva para as negras de 4,73 (!), mas não consegue indicar a sequência vencedora! Basta que o rei branco permaneça em e2 e o bispo branco fique se movimentando ao longo da diagonal longa, e pronto... as negras não tem como forçar a vitória. Ou seja, no final das contas o jogador das brancas estava certo: a posição do diagrama está tecnicamente empatada, mesmo estando as negras com três peões a mais, o que nos mostra o quão problemáticos podem ser os finais com bispos de cores opostas.


(Extraído do livro O xadrez dos Grandes Mestres: 400 conselhos para melhorar seu nível enxadrístico. MANZANO, A. L.; GONZÁLEZ, J.M. Porto Alegre: Artmed, 2002).

 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

XADREZ E HUMOR

 

Dos mesmos criadores de "Uma mente brilhante", vem aí "Descubra meu plano se puder"... 😂😂😂

 


PENSAMENTO DO DIA

 

"O xadrez não é relaxante; é estressante, mesmo se você vencer" (Jennifer Shahade, enxadrista estadunidense). 

 


 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

SEÇÃO MEMÓRIA

 

Hoje, dia 15 de dezembro, celebramos o nascimento de um artista do tabuleiro, um jogador pouco conhecido, mas que é considerado um dos mais brilhantes enxadristas de ataque de todos os tempos: Rashid Nezhmetdinov. Ele nasceu no seio de uma família de camponeses pobres, no dia 15/12/1912, em Aktiubinsk, onde hoje é o Cazaquistão. Em 1922, seu irmão mais velho Kavi (que mais tarde se tornaria um poeta famoso sob o nome de Kavi Nadzhmi) o levou para a capital tártara, Kazan. Depois de terminar o ensino médio, Nezhmetdinov trabalhou em Institutos Metrológicos Estaduais em Kazan e Odessa. Em 1937, ele ingressou na Faculdade de Física e Matemática do Instituto Pedagógico do Estado de Kazan. Depois de se formar em 1940, ele foi alistado nas fileiras do Exército Vermelho, tornando-se um oficial.

 

Rashid Nezhmetdinov (1912-1974)

Após ser dispensado do Exército, Nezhmetdinov trabalhou para o resto de sua vida como treinador no Conselho da República Tártara e para o Conselho Central da Sociedade Esportiva Voluntária Spartak. Ele recebeu o título de Treinador Honorário da URSS em 1962, ganhando a rara distinção de possuir o título de Mestre do Esporte em duas disciplinas - xadrez e damas. Como enxadrista, ganhou o Campeonato da República Russa (não confundir com o Campeonato Soviético de xadrez, que é uma outra competição) em cinco ocasiões (1950, 1951, 1953, 1957, 1958), e conquistou a reputação de um dos jogadores de ataque mais temíveis do seu tempo. Também jogou e venceu competições no jogo de damas. Em 1954, após sua atuação no torneio internacional de Bucareste, recebeu o título de Mestre Internacional. Ele também foi o autor do primeiro livro sobre xadrez a ser publicado na língua tártara (em 1953). Seu estilo de jogo era ousado e imaginativo, parecido com o do GM Mikhail Tal, a quem Nezhmetdinov teve oportunidade de enfrentar e derrotar algumas vezes. Também venceu outros Grandes Mestres de primeira categoria, como Bronstein, Polugaevsky e Geller. Rashid Nezhmetdinov faleceu no dia 03 de junho de 1974, aos 61 anos. Ele nos deixou belíssimas partidas de ataque, cheias de magníficos sacrifícios, como esta vitória sobre Tal obtida no Campeonato Soviético de 1961 (para ver a partida, clique aqui).

 

Nezhmetdinov e Tal

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

MAIS UM "CAUSO" DO TAL

 

Hoje iremos compartilhar mais um relato curioso envolvendo renomados enxadristas, os famosos "causos". Esta história envolve o grande Mikhail Tal, um indivíduo que infelizmente não cuidou bem da sua saúde, bebendo e fumando em excesso desde a juventude. Nos últimos anos de vida, sua saúde foi se deteriorando cada vez mais, e sua aparência física se tornou terrivelmente envelhecida, deixando-o quase irreconhecível. Conta-se que certa vez, em 1991, ano anterior à sua morte, ele estava jogando o torneio de Tilburg, quando um dos seus conhecidos o avistou no salão de jogo e o cumprimentou. "Obrigado", disse-lhe Tal, ao que seu amigo perguntou: "Obrigado por quê?". "Por haver-me reconhecido", foi a resposta do Mago de Riga. Mas a história que queremos contar aconteceu alguns anos antes desse episódio, em 1987, durante um torneio disputado na capital da Islândia, Reikjavik. O relato a seguir foi extraído do 2º volume da obra Meus Grandes Predecessores, de Kasparov:  

"Curiosamente, por então seguia fumando uma enormidade e não se privava de bebidas alcoólicas. 'Misha, que à época não resistia à bebida, simplesmente adormeceu no final do banquete de Reikjavik', escreve Genna Sosonko. 'Isto lhe havia acontecido constantemente, sobretudo nos últimos anos. Kortchnoi e Spassky, que também jogavam ali, haviam estreitado relações nessa época. Olharam-se: 'Levamos ele?', perguntou um deles. 'De acordo', respondeu o outro. A distância era considerável, mas os oponentes da sua juventude cumpriram admiravelmente sua tarefa, e o atônito porteiro do hotel foi informado de que aquele jogador de xadrez havia tido que pensar tão profundamente que estava exausto'".

Uma história engraçada, sem dúvida, mas ao mesmo tempo triste, por mostrar um dos maiores jogadores de toda a história do xadrez em uma situação deprimente, fragilizado pelo vício, desacordado sobre uma cadeira ou um sofá, com sintomas de embriaguez. Se não fosse a intervenção dos seus amigos, ele provavelmente ficaria largado à própria sorte, depois que todos houvessem se retirado do recinto. O gênio das brilhantes combinações faleceu precocemente, aos 55 anos, mas seu inestimável legado nunca será esquecido, e sua memória permanece viva até hoje nos corações de sua legião de fãs... salve, Mikhail Tal! 

 

Uma foto de Tal em seus últimos anos de vida

sábado, 12 de dezembro de 2020

SEÇÃO BATE & REBATE #19

 

Saudações, amigo(a)s. Estamos de volta para compartilhar com vocês mais uma entrevista da Seção Bate & Rebate, a de número 19. Como todos já sabem, o propósito dessa seção, idealizada pelo nosso amigo e colaborador Joaquim Virgolino, é promover a interação com enxadristas de todo o Brasil e até do exterior, por meio de entrevistas rápidas, no formato "pingue-pongue", que são publicadas sempre aos sábados. Gostaria apenas de abrir um parêntese para informar que a entrevista com o MF Roberto Andrade, publicada na semana passada, alcançou uma considerável repercussão, com quase 200 visualizações e 59 comentários até o presente momento, o que me trouxe uma grata surpresa e satisfação! Dito isso, vamos apresentar nosso entrevistado de hoje... ele é um enxadrista promissor, que joga bem mas que tem potencial para continuar progredindo e alçar voos ainda mais altos, chegando ao nível de mestre. Na sua cidade, Baraúna-PB, ele tem feito um bonito trabalho junto a uma ONG local, atuando como professor de xadrez e ensinando nosso querido esporte a crianças e jovens. Além disso, vem desenvolvendo também um interessante trabalho como streamer, em seu canal do Twitch, uma plataforma de transmissão ao vivo de jogos on-line, onde ele joga e analisa suas próprias partidas. Estou falando do enxadrista Fagner Lima, um dos vários amigos que o xadrez me proporcionou. Fagner é um grande divulgador do xadrez e tem tido um papel de destaque na difusão da Arte de Caíssa, motivo pelo qual merece todo o nosso reconhecimento. Ele é também uma figura humana de muitas qualidades, um sujeito simples e generoso, que batalha pelos seus objetivos com dedicação e conquista amizades por onde passa. Vejamos agora um relato prestado pelo Prof. Fagner ao blog Batalha de Mentes, em que ele fala um pouco sobre o seu início e suas pretensões no xadrez:

"Sou grato pela oportunidade de conceder essa entrevista ao BM, espaço que faltava ao xadrez paraibano. Comecei tarde no xadrez, somente aos 21 anos conheci a nobre arte de Caíssa... o mover daquelas peças e as “regras difíceis”, diferentes, me encantaram. Ter conhecido essa arte tardiamente me deixa um pouco triste, talvez seja por isso que levo à frente a ideia de ensinar a crianças e adolescentes. Meu melhor ano no xadrez foi 2013, quando obtive minha maior conquista, que foi vencer o paraibano universitário (http://www.ufcg.edu.br/prt_ufcg/assessoria_imprensa/mostra_noticia.php?codigo=15261). Morar longe das "mecas" paraibanas do xadrez me faz ter um consolo na internet, onde posso enfrentar inúmeros adversários. Espero um dia ter força de um mestre nacional ou ao menos ser um oponente que não seja batido facilmente pelos meus adversários".

 

Uma vez feita a apresentação do nosso convidado de hoje, vamos à entrevista!

 

NOME: Fagner da Silva Lima

IDADE: 32 anos

CIDADE NATAL: São Bernardo do Campo-SP

PROFISSÃO: Professor

 

01 - Qual é a sua cor favorita? R.: Azul.

02 - Comida favorita? R.: Frango.

03 - Passatempo favorito (além do xadrez)? R.: Assistir futebol.

04 - Um filme inesquecível? R.: Uma mente brilhante.

05 - Qual foi o livro de xadrez mais interessante que você já leu? R.: Defesa Siciliana, de John Emms.

 


06 - Uma música que marcou a sua vida? R.: São tantas! (risos)

07 - Qual o seu maior medo? R.: Não conseguir ser o pai que meus filhos precisam.
 
08 - Um sonho? R.: Tornar-me professor do IFPB.
 
09 - Um lance ou uma partida inesquecível de alguma lenda do xadrez? R.: O lance 24. ...Txf4!!, levando a um sequestro do rei, na partida Polugaevsky vs. Nezhmetdinov (1958).
 
10 - Se você pudesse mudar alguma coisa no mundo, o que seria? R.: Faria com que ninguém no mundo passasse fome, na infância eu passei.



11 - Quem é o seu maior ídolo no xadrez, e por quê? R.: Não tenho um ídolo no xadrez, mas admiro muito o francês Maxime Vachier-Lagrave, atualmente ele me inspira.

12 - Qual seria sua viagem dos sonhos? R.: Jogar um torneio de xadrez na Rússia, em um daqueles "cafés".

13 - Qual o seu maior defeito? R.: Confiar demais nas pessoas.

14 - Sua maior qualidade? R.: Considero-me generoso.

15 - Você não tira o chapéu para... R.: Pessoas mau-caráter, gente que só pensa em si.

 


16 - Qual o ensinamento ou princípio do xadrez é útil na sua vida? R.: A tomada de decisão.

17 - O que você aprecia em uma pessoa? R.: A simplicidade.

18 - Qual foi a melhor partida de xadrez que você já jogou? R.: Tenho poucas partidas oficiais, mas gostei de uma que foi jogada no Memorial Machado de Assis (2019), contra Ivo Pereira.

19 - Existe alguma coisa que você gostaria de aprender? R.: Gostaria de aprender outros idiomas.

20 - Fagner Lima por Fagner Lima: R.: Um homem simples.



Chegando ao fim desta entrevista, gostaria de agradecer ao amigo Fagner Lima pela sua disponibilidade em participar da nossa Seção Bate & Rebate, dando-nos a oportunidade de conhecer um pouco melhor o seu perfil de ser humano e de enxadrista. Aproveito para convidar a todos os nossos leitores a acessarem o canal de Fagner no Twitch (twitch.tv/fgnerlima), e se possível se tornarem seguidores do canal, para dar uma força ao nosso amigo e estimulá-lo a continuar produzindo vídeos naquela plataforma. Obrigado a todos pela atenção e até sábado que vem, com mais uma entrevista!