segunda-feira, 23 de novembro de 2020

OS SETE RECORDES DE XADREZ MAIS IMPRESSIONANTES

 

Recordes nos inspiram a nos empenhar por grandeza. O longo legado do xadrez deu origem a alguns recordes que permanecem por décadas e alguns podem até permanecer por séculos.

Aqui estão sete dos mais impressionantes recordes de xadrez já estabelecidos na história.

 

1. Maior série vencedora: Bobby Fischer - 20 (ou 19) partidas

Na corrida pelo título que finalmente culminou em seu confronto com Boris Spassky, Bobby Fischer venceu 20 partidas de forma extraordinária contra a elite de competição. Ele começou sua jornada no Interzonal de 1970 em Palma de Mallorca, onde venceu 7 partidas em sequência para finalizar o torneio. Devido a Oscar Panno ter abandonado sua partida sem fazer qualquer lance, alguns historiadores de xadrez preferem desconsiderar essa partida.

Nos confrontos de Candidatos que se seguiram em 1971, Fischer derrotou Mark Taimanov e Bent Larsen, ambos com escores perfeitos de 6-0. Depois de uma vitória contra Tigran Petrosian no confronto seguinte, perdeu a segunda partida, dando fim à série. Fischer continuou e derrotou com folga tanto Petrosian quanto Boris Spassky para se tornar campeão mundial de xadrez.

 


 

2. Série mais longa sem derrotas: Magnus Carlsen - 125 partidas

O atual campeão mundial, Magnus Carlsen, tem dominado o mundo do xadrez nos últimos 10 anos, exibindo um jogo sólido e intuitivo, qualidades que fazem dele um oponente muito difícil de derrotar. Neste ano de 2020, Carlsen bateu um recorde sensacional: ele se manteve invicto, em partidas oficiais de ritmo clássico, durante uma série de 125 partidas, o equivalente a 800 dias sem perder! 

Esse recorde histórico de invencibilidade constitui-se de 44 vitórias e 81 empates. As partidas foram disputadas contra rivais do mais alto escalão do xadrez internacional, o que torna o recorde ainda mais impressionante. O responsável por interromper a sequência invicta de Carlsen foi o polonês Jan-Krzysztof Duda, atualmente (novembro/2020) o 19º colocado no ranking da FIDE, com 2743 pontos de rating. Duda derrotou o campeão mundial no dia 10 de outubro deste ano, em partida válida pela 5ª rodada do torneio presencial Altibox Norway Chess, vencido por Carlsen.




3. Campeão mundial durante mais tempo: Emanuel Lasker - 27 anos

Emanuel Lasker se tornou o segundo campeão mundial quando derrotou Wilhelm Steinitz, em 1894. Ele reteve seu título até ser derrotado por José Raúl Capablanca, em 1921. Ele continuou a jogar e a participar de torneios de elite até os anos 1930. Frequentemente se observa que esse domínio foi prolongado porque a intervenção da Primeira Guerra Mundial adiou confrontos planejados com Rubinstein e Capablanca. Mesmo contando esses anos sem confrontos, o domínio de Lasker permaneceria muito maior do que o de qualquer outro campeão.




4. Maior ELO já atingido: Magnus Carlsen - 2882

Magnus Carlsen atingiu essa marca em maio de 2014, nas listas da FIDE. Não oficialmente, ele atingiu a marca até maior de 2889 na lista de ratings em tempo real. Alguns argumentam que a inflação de rating faz com esses recordes não tenham significado, porém uma análise do Chess.com mostra que a habilidade no xadrez realmente está aumentando ao longo do tempo.

No momento em que este artigo é escrito, apenas 12 jogadores alcançaram um rating de 2800. Carlsen foi o único jogador a se aproximar de 2900.


 

5. Jogador mais jovem a se tornar Grande Mestre: GM Sergey Karjakin - 12 anos e 7 meses

Karjakin é, no momento desta publicação, o único jogador a ganhar o título de Grande Mestre aos 12 anos de idade. Karjakin teve sua primeira experiência de jogo em confronto de campeonato assim que completou 12 anos, ele foi treinador de Ruslan Ponomariov durante seu confronto contra Vasily Ivanchuk no campeonato mundial.

Em 2016, Karjakin obteve sua segunda experiência no campeonato mundial, desafiando Magnus Carlsen. Após empate de 6-6 ao longo de 12 partidas clássicas, com cada jogador ganhando uma, o confronto acabou sendo decidido a favor de Carlsen em partidas rápidas de desempate.

 

 

6. Maior número de partidas simultâneas: GM Ehsan Ghaem Maghami - 604 partidas

Uma exibição simultânea é um conjunto de partidas contra vários adversários ao mesmo tempo. Geralmente os adversários sentam em fileira ou círculo e o mestre roda os jogadores fazendo lances contra cada adversário e indo até o próximo.

Ehsan Ghaem Maghami, campeão iraniano nove vezes, enfrentou uma quantidade impressionante de 604 jogadores para cravar o recorde de maior número de adversários simultâneos. Ele venceu 580 partidas, empatando apenas 16 e perdendo oito numa exibição simultânea em Teerã, Irã. A exibição ocorreu nos dias 8 e 9 de fevereiro de 2011, no estádio de esportes da Universidade Shahid Beheshti.

 


7. Maior número de partidas simultâneas às cegas: GM Timur Gareyev - 48 partidas

Um dos feitos mais notáveis no xadrez é a partida às cegas. Numa partida às cegas, não é permitido que o jogador olhe o tabuleiro. Os jogadores devem guardar a posição inteira nas suas cabeças à medida que os lances são comunicados por notação de xadrez. Numa exibição simultânea às cegas, o enxadrista-exibidor deve guardar todas as posições de uma vez na memória, um feito assombroso de habilidade e concentração no xadrez.

Timur Gareyev marcou um novo recorde mundial para esse formato em 3 e 4 de dezembro de 2016, quando jogou contra 48 adversários de uma vez. Ele obteve 35 vitórias, 7 empates e 6 derrotas. 

 

 

FONTE: Site Chess.com. Artigo originalmente publicado em: https://www.chess.com/pt-BR/article/view/os-7-recordes-de-xadrez-mais-impressionantes, em 28/12/2017, sendo atualizado pelo editor deste blog, para contemplar o recorde de Magnus Carlsen de maior série invicta de partidas.


sábado, 21 de novembro de 2020

SEÇÃO BATE & REBATE #16

 

Prezado(a)s leitore(a)s, apresentamos mais uma publicação da Seção Bate & Rebate, a de número 16. Como todos já sabem, o propósito desta seção, idealizada pelo nosso amigo e colaborador Joaquim Virgolino, é promover a interação com enxadristas de todo o Brasil e até do exterior, por meio de entrevistas rápidas, no formato "pingue-pongue", que são realizadas por Joaquim e publicadas sempre aos sábados. A nossa entrevistada de hoje é uma pessoa muito especial, por várias razões: em primeiro lugar, ela é a mais ativa jogadora de xadrez da Paraíba na atualidade, tendo marcado presença em numerosos torneios nos últimos anos. Além disso, é alguém que ama profundamente o jogo-arte-ciência, a ponto de ter transformado a sua casa em um clube de xadrez (Clube de Xadrez Gurgel), e que, apesar de todas as dificuldades e das lutas travadas no dia-a-dia, mostra sua força e não se deixa abater, com a garra e a coragem de alguém que enfrenta desafios e supera obstáculos em busca de dias melhores, sem jamais desistir, motivo pelo qual merece todo o nosso respeito e admiração. Por fim, é uma pessoa de coração enorme, uma das mais generosas que já conheci, e por tudo isso tenho orgulho de ser seu amigo. Estou falando de Valdemiza Gurgel, uma das figuras mais queridas e simpáticas do xadrez paraibano, pelo qual tenho um imenso carinho. É sobre ela que vamos ficar conhecendo um pouco mais, por meio da presente entrevista. Diferentemente da maioria das entrevistas anteriores, que foram realizadas pelo nosso colaborador Joaquim Virgolino, a de Valdemiza foi conduzida por mim. Vamos lá!

 

NOME: Valdemiza Gurgel de Almeida

IDADE: 61 anos

CIDADE NATAL: São João do Rio do Peixe-PB

PROFISSÃO: Professora

 

01 - Qual é a sua cor favorita? R.: Verde cana.

02 - Comida favorita? R.: Arroz de leite com carne de sol.

03 - Passatempo favorito? R.: Jogar xadrez.

04 - Um filme inesquecível? R.: Códigos mortais.

05 - Qual foi o livro de xadrez mais interessante que você já leu? R.: Meus Grandes Predecessores, de Kasparov.

 

 


06 - Uma música que marcou a sua vida? R.: I don't want to talk about it - Rod Stewart.


Obs.: Conheça a música escolhida pela entrevistada assistindo ao vídeo a seguir:

 


 

07 - Qual o seu maior medo? R.: Perder a fé.
 
08 - Um sonho? R.: Alcançar a maestria no xadrez.
 
09 - O que mais lhe atrai no xadrez? R.: O que cada peça simboliza e traz de ensinamento para a nossa vida.
 
10 - Se você pudesse mudar alguma coisa no mundo, o que seria? R.: Faria com que as pessoas tivessem mais solidariedade, que se preocupassem mais com o outro. 
 
 

 
11 - Quem é o seu maior ídolo no xadrez, e por quê? R.: Sr. Luiz Macedo, por tudo o que ele representa para o xadrez do Nordeste, e pelo comportamento demonstrado no tabuleiro, sempre respeitando o oponente.

12 - Quem é Deus para você? R.: Minha existência... não consigo me ver sem a Sua presença.

13 - Qual o seu maior defeito? R.: Não achar tempo para fazer o melhor do desejo de Deus.

14 - Sua maior qualidade? R.: Torcer pelo outro.

15 - O que é felicidade para você? R.: As famílias prósperas, tanto a minha como a de todos.
 
 

 
16 - Você não tira o chapéu para... R.: Poderosos corruptos.

17 - Qual o ensinamento ou princípio do xadrez é útil na sua vida? R.: Desenvolvimento cognitivo, raciocínio lógico e respeito.

18 - Existe alguma coisa que você gostaria de aprender? R.: Jogar xadrez e ser gente.

19 - Qual mensagem você deixaria para os leitores do blog? R.: Que amem, que se modifiquem, que olhem e façam pelo outro. Que sejam humildes no xadrez e amem verdadeiramente sua pátria.

20 - Valdemiza por Valdemiza: R.: Sempre forte para o que der e vier.


Valdemiza enfrentando Ednaldo Lima em um torneio do Clube de Xadrez Gurgel


E assim concluímos a entrevista da amiga Valdemiza Gurgel... agradeço a Valdemiza pela disponibilidade em participar deste humilde canal informativo, e fico feliz pela oportunidade de ter acompanhado um pouco da sua trajetória e de ter testemunhado toda a sua dedicação ao xadrez. Que Deus continue abençoando seus caminhos, querida Valdemiza! Sábado que vem estaremos de volta, com mais uma entrevista da Seção Bate & Bate, aqui no blog Batalha de Mentes. Até lá!


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

COMPOSIÇÃO DE TIMMAN - SOLUÇÃO

 

Há alguns dias atrás postei o diagrama abaixo, que consiste em uma composição do GM holandês Jan Timman, candidato ao título mundial da FIDE em 1993 e um dos melhores jogadores do mundo nas décadas de 1980 e 1990. A questão colocada na postagem anterior foi: na posição do diagrama, cabendo o lance às brancas, será que elas podem empatar a partida? 


Jogam as brancas. Elas perdem ou empatam?

 

Desta vez ninguém arriscou nenhuma avaliação, o que mostra que a solução não é tão simples. Quando olhei o diagrama pela primeira vez, confesso que pensei: "Realmente, não há o que se fazer aí... as brancas estão perdidas". De fato, à primeira vista, não há como as brancas impedirem a coroação do peão da coluna h, que parece ser o fator decisivo para a vitória das negras. No entanto, é possível às brancas construir uma posição em que nenhuma peça pode se mover, e é justamente com essa ideia que elas encontram milagrosamente a salvação, graças ao recurso do autoafogamento:

1. Bc7!! 

É impossível parar o peão da coluna h, por isso é preciso imaginar algo diferente para se obter o empate.

1. ... h3 2. Bb8 h2 3. c7 e empate por afogamento. Apesar da coroação do peão, as negras não conseguem vencer a partida, seja qual for a peça em que o peão irá se transformar. É isso que eu chamo de "tirar um coelho da cartola" na hora h... 😄 Como é belo e surpreendente o xadrez!


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

FELIZ DIA MUNDIAL DO XADREZ!

 

Hoje, dia 19 de novembro, é um dia especial para todos nós enxadristas, em que se comemora o Dia Internacional (ou Mundial) do Xadrez. Essa data foi escolhida em homenagem ao ex-Campeão Mundial José Raul Capablanca, nascido a 19/11/1888, um dos maiores jogadores de xadrez de todos os tempos. Quero parabenizar a todos os praticantes dessa arte tão fascinante, cheia de sutilezas e mistérios... sem dúvida somos grandes privilegiados, pois, vivendo em um mundo tão injusto e tendo que enfrentar tantas adversidades, temos a sorte de contar com o xadrez para suavizar nossa existência! Parabéns para nós!! 💙💚💛

 


PENSAMENTO DO DIA

 

"Jogadores de primeira categoria perdem para os de segunda, porque estes, às vezes, jogam uma partida de primeira classe" (GM Siegbert Tarrasch).

 

Siegbert Tarrasch (1862-1934)

 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

A VINGANÇA DE BOTVINNIK

 

Os anais da literatura enxadrística assinalam que o 6º campeão mundial, o soviético Mikhail Botvinnik, era um sujeito de personalidade difícil, que mantinha relações conflituosas com vários dos seus colegas enxadristas. Ele era dono de um caráter rancoroso, e por isso não admitia que lhe fizessem brincadeiras ou que o tratassem com pouco-caso. Em meados da década de 1930, ao conseguir se tornar um dos mais fortes jogadores do seu país, ele "caiu nas graças" da cúpula do regime comunista vigente na União Soviética, à época liderada pelo facínora Josef Stalin, o segundo maior genocida da história da humanidade, atrás apenas de outro ditador comunista, o chinês Mao Tsé-Tung. Como já escrevi em outra oportunidade aqui no blog, Botvinnik utilizou, mais de uma vez, o prestígio que conquistara junto às autoridades para prejudicar adversários e obter favorecimento pessoal. Por exemplo, no match-torneio celebrado em 1948, que serviu para determinar quem seria o detentor do título de campeão mundial após a morte de Alekhine, havia três Grandes Mestres soviéticos competindo: Botvinnik, Smyslov e Keres. Todos sabiam que Botvinnik era o favorito do governo soviético para conquistar o tão cobiçado título mundial, e ele mesmo admitiu, em entrevista concedida quase meio século depois do evento, que o próprio Stalin dera ordens para que não apenas Keres mas também Smyslov perdessem para ele. Apesar da sua incontestável força, essa "pequena ajuda" do líder máximo da URSS foi decisiva para que Botvinnik vencesse o match-torneio e consequentemente se tornasse o campeão mundial. Três anos depois, na disputa pelo Campeonato Mundial de 1951, a história se repete, dessa vez com o desafiante David Bronstein, que também foi pressionado pelas autoridades a perder o match contra Botvinnik, como registramos aqui no blog (leia aqui).

 

Botvinnik teve ajuda do governo para se tornar campeão mundial em 1948

Em 1946, no famoso torneio de Gronigen (Holanda), o primeiro grande torneio pós-2ª Guerra, ocorreu um episódio que feriu o ego de Botvinnik, o qual lhe daria motivo para por em prática uma vingança pessoal. Na última rodada do evento, aconteceria o primeiro encontro de Miguel Najdorf e Botvinnik frente ao tabuleiro. Na véspera da partida, Najdorf procurou o segundo de Botvinnik, o GM Salo Flohr, e apostou com ele 500 florins que ganharia a partida. Najdorf não só apostou que venceria Botvinnik, mas declarou que iria "depená-lo como um frango". Como já era de se esperar, a aposta, bem como a declaração ofensiva do GM argentino, chegaram ao conhecimento dos outros participantes do torneio, e, inclusive, de Botvinnik. Quando chegou o momento do jogo, tudo aconteceu exatamente como Najdorf havia previsto, e ele venceu seu oponente em bom estilo (veja a partida aqui). Botvinnik nunca perdoou Najdorf por essa afronta, e dois anos depois da vergonhosa derrota, ele teve a oportunidade de vingar-se: em 1948, a FIDE estava organizando o match-torneio pelo Campeonato Mundial, e, diante da recusa de Reuben Fine em participar da competição, os organizadores cogitaram convidar Najdorf para ocupar a vaga deixada por Fine. Ao saber da pretensão da FIDE, Botvinnik de imediato manifestou uma oposição feroz àquela ideia, e pressionou a Federação Soviética de Xadrez para que a entidade não aceitasse a participação de Najdorf. A Federação Soviética, que a essas alturas já era a mais poderosa do mundo, usou sua influência para convencer a FIDE a não convidar Najdorf para o torneio, e a FIDE cedeu. Com isso, Miguel Najdorf se viu privado da oportunidade de disputar o título mundial de xadrez, e o vingativo Botvinnik teve sua desforra pela derrota sofrida em Groningen.

 

Najdorf e Botvinnik se enfrentando na Olimpíada de Moscou (1956)

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

UMA COMPOSIÇÃO DE TIMMAN

 

Jan Timman nasceu na Holanda, no ano de 1951. Na década de 1980, foi considerado o melhor jogador do mundo ocidental. Ele é um exímio analista, editor da prestigiada revista New in Chess e autor de diversos livros, dentre os quais se destaca El arte del análisis. Foi candidato ao título mundial da FIDE em 1993, mas perdeu o match contra Karpov. Em 1976, Timman criou uma composição (ou estudo), o qual aparece mostrado no diagrama abaixo.

 

As brancas jogam. Elas perdem ou empatam?

Notem que, apesar da ampla vantagem material, as brancas estão em perigo, pois o peão preto da coluna h está a três lances de ser promovido. Será que as brancas podem arrancar o empate nessa posição aparentemente perdida? O que me dizem, amigos? Analisem a posição e deixem seus comentários... na quarta-feira, trarei a resposta. Até lá! 

 

sábado, 14 de novembro de 2020

SEÇÃO BATE & REBATE #15

 

Como temos feito nos últimos sábados, é chegado o momento de publicarmos mais uma entrevista da nossa Seção Bate & Rebate, desta vez a de número 15. O convidado de hoje é um dos mais fortes enxadristas paraibanos, e também uma das figuras mais carismáticas do nosso meio enxadrístico. Estamos falando do MN Douglas Torres, o simpático "Peixada Forte", que possui em seu currículo alguns títulos importantes, como o de campeão paraibano de xadrez do ano de 2008 e de bicampeão do Torneio Master Paraíba, uma competição outrora promovida pela Academia de Xadrez Caldas Viana, a qual reunia representantes da elite do xadrez estadual. De acordo com a listagem da FIDE de novembro de 2020, Douglas detém 2.106 pontos de rating clássico, e é sempre um dos jogadores bem cotados para vencer os torneios nos quais se faz presente. Queremos agradecer ao amigo Douglas pela sua disponibilidade em conceder esta entrevista ao nosso humilde blog, e ao nosso parceiro e colaborador Joaquim Virgolino. Dito isso, vamos à entrevista!

 


NOME: Douglas da Silva Torres

IDADE: 47 anos

CIDADE NATAL: Cabo de Santo Agostinho-PE

 

01 - Qual é a sua cor favorita? R.: Preto.

02 - Comida de que mais gosta? R.: Rubacão.

03 - Bebida preferida? R.: Cerveja.

04 - Um filme inesquecível? R.: Top Gun.

05 - Qual o livro de xadrez mais interessante que você já leu? R.: Manual do Xadrez: entendendo o jogo lance a lance, do GM John Nunn.

06 - Uma música que marcou vida? R.: November rain - Guns N' Roses.

Obs.: Conheça a música escolhida pelo entrevistado assistindo ao vídeo a seguir: 


 


 

07. Qual o seu maior medo? R.: Depender dos outros.

08. Um sonho? R.: Viajar o mundo, de moto.

09. Quais as três pessoas que você adoraria convidar para jantar? R.: Raul Seixas, Mikhail Tal e meu tio Antônio.

10. Uma partida ou lance inesquecível de alguma lenda do xadrez? R.: Karpov vs. Kasparov, lance inovador na Defesa Siciliana, com Kasparov sacrificando um peão em d5. 16ª partida do match pelo Campeonato Mundial de 1985.

11. Quem é o seu jogador de xadrez favorito? R.: Mikhail Tal.

12. Seu maior defeito? R.: Sempre querer ajudar...

 


13. Uma atriz ou ator? R.: Denzel Washington.

14. Estilo musical preferido? R.: Eclético, dependendo do nível etílico.

15. Eu não tiro o chapéu para... R.: Corrupção.

16. Qual ensinamento ou princípio do xadrez é útil na sua vida cotidiana? R.: Pensar antes de agir.

17. O que você salvaria da sua casa se ela estivesse pegando fogo? (Apenas duas coisas)  R.: Livros e a moto. 

18. O que você aprecia em uma pessoa? R.: Honestidade.

 


 

19. Existe alguma coisa que você gostaria de aprender? R.: Falar inglês.

20. Seu hobby? R.: Correr.

21. Um arrependimento? R.: Não ter aproveitado mais as viagens que fiz de moto quando fui ao Ushuaia (Argentina).

22. Que animal você seria? R.: Lobo.

23. Brasil? R.: País corrupto de direito.

24. Uma mensagem que você gostaria de deixar para os leitores: R.: Prefiro viver com os loucos do que viver com os falsos.

25. Douglas Torres por Douglas Torres: R.: Animal indomável, louco pela vida!




Finalizada mais uma entrevista, no sábado que vem estaremos de volta, com mais uma publicação da Seção Bate & Rebate. Nossa próxima convidada será uma enxadrista paraibana que tem participado ativamente dos torneios locais nos últimos anos. Até breve, meus amigos, e tenham todo(a)s um bom domingo!


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A ORIGEM DO TERMO "CAPIVARA"

 

A capivara (Nome científico: Hydrochoerus hydrochaeris) é um mamífero roedor que habita boa parte da América do Sul, incluindo o Brasil. É parente das pacas, cutias, preás e porquinhos-da-Índia, sendo um dos animais mais simpáticos e "fofinhos" da nossa fauna. No jargão enxadrístico, capivara é o título que se atribui ao jogador fraco, que apesar de jogar xadrez há muito tempo não consegue melhorar o seu nível de habilidade no jogo, seja lá por qual motivo for. Sem dúvida, tanto eu como a maioria dos leitores que acompanham nosso blog se enquadram nessa categoria (😅😅😅), e, no meu caso, ostento esse título com todo orgulho. Mas o amigo enxadrista conhece a origem do termo capivara quando aplicado ao xadrez? Eu também não conhecia, até que tempos atrás me deparei com a seguinte explicação na internet:

"Capivarol era um tônico fabricado em Juiz de Fora (MG) na primeira metade do século passado e vendido nas farmácias de todo o Brasil. O fabricante produzia também um almanaque, que era distribuído gratuitamente nas farmácias, o qual trazia curiosidades, piadas, informações de utilidade pública e jogos. Havia uma seção com posições de tabuleiros de xadrez para análise de possibilidades de jogadas. Ocorre que os problemas eram bastante simples, e então, dos jogadores medíocres, se dizia que aprenderam consultando o almanaque Capivarol. Às jogadas igualmente medíocres, se passou a denominar 'capivaradas' e aos seus autores, 'capivaras'". 

 


Aí está, meus amigos, uma possível explicação, aliás bastante plausível, para a origem do termo capivara, que hoje tem uso generalizado no meio enxadrístico. Se ela corresponde à realidade eu de fato não tenho como comprovar, mas como o assunto é interessante, resolvi trazê-la ao conhecimento do nosso público leitor. Em breve estaremos de volta, trazendo mais curiosidades a respeito do fascinante universo do xadrez!

 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

AINDA SOBRE O "GAMBITO DA RAINHA"

 

Amigo(a)s, não consigo esconder o meu entusiamo diante do grande sucesso e repercussão alcançada pela minissérie "Gambito da Rainha", que vem sendo aclamada pelo público e pela crítica e ajudando a popularizar ainda mais o nosso querido xadrez. Hoje trago para vocês o texto de uma notícia publicada pela Revista Galileu, que fala justamente sobre o impacto da minissérie nas pesquisas pelos assuntos relacionados ao xadrez na internet, o que mostra que inúmeras pessoas tiveram sua atenção despertada para o jogo-arte-ciência por causa da minissérie... bendito Gambito da Rainha!

 

Série "O Gambito da Rainha" faz buscas por xadrez atingirem recorde 

 

Quando o assunto é “série do momento”, só se fala em O Gambito da Rainha, produção da Netflix que estreou no último dia 23 de outubro no catálogo da plataforma. A sinopse é a seguinte: em um orfanato no estado de Kentucky (EUA), nos anos 1950, uma garota descobre um talento impressionante para o xadrez enquanto luta contra o vício e os problemas que acompanham sua genialidade. A minissérie é baseada no romance homônimo de Walter Tevis e foi escrita e dirigida por Scott Frank, duas vezes indicado ao Oscar. Além do sucesso de público e de críticas, O Gambito da Rainha também fez disparar as buscas por jogos de xadrez, segundo análises feitas pelo Google por meio da ferramenta Google Trends.

Na semana após a estreia da série, as buscas pelo jogo de tabuleiro cresceram 41%, e foram aumentando sucessivamente nas semanas seguintes. Em novembro, a procura por xadrez atingiu o ponto mais alto desde janeiro de 2013, de acordo com o Google. A pergunta mais feita pelos internautas foi “como jogar xadrez”. Já a dúvida "quantas casas tem um tabuleiro de xadrez" subiu 170% entre os dias 3 e 10 de novembro. Nesse mesmo período, tiveram aumento expressivo as buscas por “jogos de xadrez” (+80%), "estratégias de xadrez" (+60%) e "tabuleiro de xadrez madeira" (+60%). Movimentos do jogo também despertaram o interesse do público. Entre os campeões de procura não poderia deixar de estar o que dá nome à série: Gambito da Rainha, usado por Elizabeth Harmon (Anya Tayloy-Joy) na partida final do campeonato. Também cresceram as buscas por “Defesa Siciliana”, “en passant”, “Gambito do Rei Aceito” e “Defesa Caro-Kann”.

 

Elizabeth Harmon (Anya Taylor-Joy) em "O Gambito da Rainha"

Notícia publicada originalmente em: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/11/serie-o-gambito-da-rainha-faz-buscas-por-xadrez-atingirem-recorde.html   

 

PENSAMENTO DO DIA

 

"Esqueça sua estrutura de peões ou qualquer outro detalhe de uma posição. O xeque-mate é o objetivo e termina a partida!" (GM Nigel Short).

 



quarta-feira, 11 de novembro de 2020

SÄMISCH, UM PERSONAGEM SINGULAR

 

Friedrisch Sämisch foi um Grande Mestre e teórico do xadrez, nascido em Berlim, em 1896. Por causa da sua longevidade, ele pôde enfrentar três gerações de Grandes Mestres e campeões mundiais. Contribuiu para o prestígio do xadrez alemão nos anos 1920, juntamente com os formidáveis Lasker e Tarrasch. Nessa época, quando alcançou a elite do xadrez mundial, "cruzava espadas" com Capablanca e Alekhine. Da geração seguinte, ele se defrontou com Keres, Flohr, Botvinnik e Reshevsky. Seu maior êxito foi o 3º lugar no fortíssimo torneio de Baden-Baden (1925), atrás de Alekhine e Rubinstein, mas superando a Bogoljubow, Spielmann, Tartakower, Nimzowitsch, Reti e Tarrasch, entre outros. 

 

Friedrisch Sämisch (1896-1975)

 

Sämisch era um clássico boêmio do xadrez. De 1920 a 1930 vivia exclusivamente em hotéis; viajava com frequência para participar dos grandes torneios, e sua vida era muito controlada, possuindo uma só mala. Ao invés de lavar seu traje, comprava um novo; tirava sua roupa íntima suja e comprava uma nova. Desta maneira nunca tinha problemas com sua bagagem, ao contrário do seu companheiro Alekhine, que sempre viajava com 24 malas, três gatos e uma esposa. Vivia de um modo pouco convencional, sem alardes nem luxos. Tivesse ou não dinheiro, sempre viajava de táxi. No pior dos casos, surpreendia os seus amigos: "Querido amigo, não tenho um só centavo; poderia me emprestar quatro ou cinco marcos para o táxi?". Ninguém podia rechaçar os seus humildes desejos. Os conhecidos mestres alemães Heinicke, Kieninger e Lehmann facilitavam a vida do mestre em sua velhice. Em certa ocasião, ao chegar em casa após um longo período de ausência disputando torneios, deparou-se com um bilhete deixado por sua esposa, que decidiu abandoná-lo porque não suportava que ele gostasse mais do xadrez do que dela. 

Quando jogava xadrez, Sämisch estava mais interessado no aspecto artístico do que no aspecto competitivo, por isso nunca se preocupou com o apuro de tempo em suas partidas. Isto lhe custava muitos pontos; em Busum (1969), estabeleceu uma marca difícil de romper: perdeu todos os seus jogos por tempo! Contudo, é preciso levar em consideração que nessa ocasião ele já contava com mais de 70 anos, idade em que o raciocínio normalmente se torna mais lento. No torneio de Karlsbad, em 1929, obteve o primeiro prêmio de brilhantismo graças à seguinte combinação:

 

Sämisch x Grünfeld - Karlsbad, 1929

 

43. Txf5!! Cxf5 44. Cg6+ Rg8 45. Te7 Tf7 Todas as peças estão taticamente defendidas:

a) 45. ... Cxh4 46. Tg7#

b) 45. ... hxg6 46. Dh7#

c) 45. ... Cxe7 46. fxe7

46. Txf7 Rxf7 47. Ce5+ Rf8 48. Dxh7 1-0 

 

Sämisch faleceu em 16 de agosto de 1975, vítima de um acidente vascular cerebral. Na atualidade, ele é lembrado por suas contribuições à teoria das aberturas, tendo duas das mais importantes variantes com o seu nome: variantes Sämisch da Defesa Índia do Rei e da Defesa Nimzoíndia, respectivamente:

  • 1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4.e4 d6 5.f3
  • 1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.a3

Também recebem seu nome as seguintes variantes de menor importância, respectivamente da Defesa Alekhine e da Defesa Índia da Dama:

  • 1. e4 Cf6 2. e5 Cd5 3. Cc3
  • 1. d4 Cf6 2. c4 b6

Brevemente, voltaremos a falar a respeito de F. Sämisch, abordando um curioso episódio em que ele se envolveu numa partida contra o grande Capablanca... até lá!

 

FONTE: FREY, Kenneth. Ajedrez en cápsulas